List of Panels

LIST OF PANELS | LISTA DOS PAINÉIS

Scroll down for the abstracts | Os resumos encontram-se abaixo

01
Beyond social movements: African civil society between acting, limitations and challenges
Além dos movimentos sociais: A sociedade civil africana entre atuação, limites e desafios

02
Social Movements in urban space in Sub-Saharan Africa: typologies and challenges
Movimentos sociais no espaço urbano da África subsariana: tipologias e desafios

03
Popular protests, political opportunities and change in Africa

04
Activism in Africa in times of pandemic
O ativismo na África em tempos de pandemia

05
Civil Society, African/Afro-Brazilian Social Movements and Higher Education
Sociedade civil, movimentos sociais negro-africanos e ensino superior

06
1956-1958: A revolutionary period that changed Africa (and the world)

07
Decolonizing LGBTIQ Activism in Mozambique
Descolonizando o Ativismo LGBTIQ em Moçambique

08
Women, poitics of culture and social movements
Mulheres, política cultural e movimentos sociais em África e Brasil

09
Necropower in African Contexts: activism against extrivist megaprojects and struggles for citizenship and land
Necropoder em Contextos Africanos: os ativismos contra os megaprojetos extractivistas e as lutas por cidadania e pela terra

10
Sexualities in African contexts and their political demands
Sexualidades em contextos africanos e suas reivindicações políticas

11
Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa
Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa

12
Displacement as Activism: Resistance against slavery and mobile struggles for equality in West Africa and the Diaspora

13
Affirmative policies and the protagonism of black movements: challenges in the education of ethnic-racial relations in the Brazil/Africa dialogue
Políticas afirmativas e o protagonismo dos movimentos negros: desafios no campo da educação das relações étnico-raciais no diálogo Brasil/África

14
Counter-colonial Feminisms, Dissident Gender Movements and Human Rights Activisms: An Africa-South American Dialogue
Feminismos contra-coloniais, movimentos sexo-gênero dissidentes e ativismos pelos direitos humanos: Um diálogo África-América do Sul

15
Racialized female bodies: White hegemony and insurgencies in Africa and the Diasporas
Corpos femininos racializados: hegemonia branca e insurgências em África e nas Diásporas

16
(Dis)Lusotropicalization of thought: Portugal/Africa activism
(Des)lusotropicalização do pensamento: ativismo Portugal/África

17
Digital tools, technological artifacts, cyberactivism and social mobilizations in networks in global contexts
Ferramentas digitais, artefatos tecnológicos, ciberativismo e mobilizações sociais em redes em contextos globais

18
Transnational Activisms, Education, History and African and Afro-Brazilian Culture

Ativismos Transnacionais, Educação, História e Cultura Africana e Afro-brasileira

19
Expressions of African-based religion: between deconstruction and reframing Eurocentric views
Expressões da religião de matriz africana: entre a desconstrução e ressignificação de visões eurocêntricas

20
The colonial past as a problem not closed in contemporary times. “Artivism” as a contribution to mental decolonization and as an intercultural possibility
O passado colonial como problema não encerrado na contemporaneidade. O “artivismo” enquanto contributo para a descolonização mental e como possibilidade intercultural

21
Lusophony, Periphery and Resistance: Contemporary voice and writing of African and Afrodescendant women
Lusofonia, Periferia e Resistência: a voz e escrita contemporânea de mulheres africanas e afrodescendentes

22
African and afrodiasporic artistic-cultural productions in anticolonial, decolonial and descolonial perspectives
Produções artístico-culturais africanas e afrodiaspóricas em perspectivas anticoloniais, descoloniais e decoloniais

23
Memory policies and discursive strategies in cinema
Políticas da memória e estratégias discursivas no cinema

24
African and Aphrodiasporic Cinemas: activism in contemporary contexts
Cinemas Africanos e Afrodiaspóricos: ativismos em contextos contemporâneos

25
Artists and culture in movements: experiences, trajectories and biographies
Artistas e cultura em movimentos: experiências, trajetórias e biografias

26
Aesthetic experiences and heritage among Afro-Atlantic activisms
Experiências estéticas e patrimônio entre ativismos afro-atlânticos

27
Sounds of Africa – activism, capillarity and resilience of African and Afro-diasporic musical arts
Sons da África – ativismos, capilaridades e resiliências das artes musicais africanas e afro-diaspóricas

28
Rap and Political Activism in Angola and Mozambique
Rap e ativismo político em Angola e Moçambique

29
Afro-Atlantic photographs and counter-colonial visualities
Fotografias afro-atlânticas e visualidades contracoloniais

30
Towards an agrarian transnationalism: agrarian and rural struggles within ‘non-Imperial South
Por um transnacionalismo agrário: lutas agrárias e rurais no ‘Sul não imperial’

31
New Social Movements, Politics and Youth Protagonism
Novos Movimentos Sociais, Política e Protagonismo Juvenil

32
Questões e desafios metodológicos na investigação sobre activismo

33
Transnational LGBTI activism in a changing Africa: local and transnational strategies

34
Questioning activism: the theoretical framework proposals based on experiences of activists from African countries
Problematizando o activismo: as propostas do quadro teórico a partir de experiências de activistas dos países africanos

35
Weaving antiracist networks: activisms, narratives and counter-colonization
Tecendo redes antirracistas: ativismos, narrativas e contracolonização

36
Networks of Knowledge Building: the role of militant and academic feminisms
Redes de Construção de Saberes: o papel dos feminismos acadêmicos e militantes

DETAILED LIST OF PANELS | LISTA DETALHADA DOS PAINÉIS

01

Beyond social movements: African civil society between acting, limitations and challenges

Luca Bussotti CEI-IUL; IEAF/UFPE
Remo Mutzeenbrg IEAF/UFPE
Marcos António Alves UNESP – Revista Trans/Form/Ação

The studies on social movements in Africa have been multiplied over the last few years. This is due as to civil society protagonism, starting from the “Arab Spring”, as to its difficulties in contributing to build more democratic and tolerant States, as in the case of countries as Angola, Mozambique, Equatorial Guinea, Eritrea and so on. Nevertheless, what prevailed was an epistemological approximation based in empirical research concentrated in social and/or protest movements, lacking, in general, a deep reflection on the ontological elements of African civil society as a whole. Concerns on its nature, objectives, types of actions, ethical and political principles, as well as its limits and challenges are just some of the questions which a philosophical reflection should show, going beyond a simple descriptive study of it. Based on a permanent dialogue with the other social sciences approaches, this panel encourages the submission of communications of philosophical kind on African civil society and social movements, trying to emphasize the dialectical and dialogical elements among spaces of originality of philosophies and ways of life focused in epistemological traditions typically African, as Ubuntu, the Black Reason or traditional or community practices. These approaches sought to overcome colonial and neo-colonial approaches, still rooted in all African continent. If possible, communications should be focused on philosophical post-colonial approaches on Africa as well as on Diaspora, able to propose models of thought and of existence based on the need of a radical change of the current paradigm, to which civil society can offer a great contribution.
Keywords: African Philosophy; Post-colonialism; Ethical and Political Dimension

Além dos movimentos sociais: A sociedade civil africana entre atuação, limites e desafios

Luca Bussotti CEI-IUL; IEAF/UFPE
Remo Mutzeenbrg IEAF/UFPE
Marcos António Alves UNESP – Revista Trans/Form/Ação

Os estudos sobre movimentos sociais em África se multiplicaram ao longo dos últimos anos, quer devido ao seu protagonismo, a partir da “Primavera árabe”, quer por causa das suas dificuldades em contribuir a construir estados mais democráticos e tolerantes, como é o caso de países como Angola, Moçambique, Guiné Equatorial, Eritreia e muitos outros. Entretanto, o que prevaleceu foi uma aproximação epistemológica baseada em pesquisas empíricas concentradas em movimentos sociais e/ou de protesto, faltando, na maioria dos casos, uma reflexão mais profunda sobre os elementos ontológicos da sociedade civil africana no seu todo. Inquietações sobre a sua natureza, o que é que ela pretende, para que ela atua, que tipo de princípios éticos e políticos ela propõe, quais seus limites e desafios são apenas algumas das questões que uma reflexão filosófica deveria trazer à tona, indo além do estudo meramente descritivo da mesma. Num constante diálogo com as outras disciplinas das ciências sociais, este painel incentiva a submissão de comunicações de cunho filosófico sobre sociedade civil e movimentos sociais em África, procurando destacar essencialmente os elementos dialéticos e dialógicos entre espaços de originalidade de filosofias e modos de vida centrados em tradições epistemológicas típicas da cultura africana, tais como o Ubuntu, a Razão Negra ou práticas tradicionais ou comunitárias, que procuraram superar abordagens coloniais e neocoloniais, ainda hoje muito enraizadas em todo o continente. De preferência, as comunicações deverão trazer reflexões centradas em abordagens filosóficas pós-coloniais, relativas ao continente africano assim como à diáspora, capazes de propor modelos de pensamento e de existência que partam da necessidade de uma mudança radical do paradigma atual, a que a sociedade civil poderá contribuir sobremaneira.
Palavras-chave: Filosofia africana; Pós-colonialismo; Dimensão ético-política

02

Social Movements in urban space in Sub-Saharan Africa: typologies and challenges

Redy Wilson Lima (Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais de Cabo Verde)
Luca Bussotti (IEAF/UFPE, CEI ISCTE-IUL)

A wave of protests spread in many Sub-Saharan African countries in the second half of the 2000s, inserted in a new era of contestation all over the world. Nevertheless, after the reaction, generally “strong” of many African States, accentuating measures of control in order to prevent new public protests, these new social movements reinvented themselves. For, they occupied, from one side, not consolidated rooms inside contemporary social structures and organizations, proposing new forms of political organization, from the other side. Organized social movements, especially those composed by youth, as well as new forms of individual activism emerged in this new urban scenario, generally guided by a public agenda oriented for the idea of the “city for all” and of new political disputed spaces. This panel invites academics, journalists and activists to present papers which clarify the different typologies, ideologies, impact and networks, domestic as well as international, of the new urban movements in Sub-Saharan Africa, englobing the most different expressions, from art to environment, from the right to health and education to sexual rights and to web-activism. A particular emphasis  will be placed in the agenda and the ways through which these groups or individual activists manifest their instances.
Keywords: Protests; Rights; Towns; State

Movimentos sociais no espaço urbano da África subsariana: tipologias e desafios

Redy Wilson Lima (Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais de Cabo Verde)
Luca Bussotti (IEAF/UFPE, CEI ISCTE-IUL)

Uma vaga de protestos difundiu-se em muitos países da África subsariana na segunda metade da década de 2000, inseridos numa nova era de contestação a nível mundial. Entretanto, depois da reação, geralmente “forte” de muitos estados africanos, acentuando medidas de controlo com vista a prevenir novos protestos públicos, estes novos movimentos sociais se reinventaram, ocupando espaços não consolidados das estruturas e organizações sociais contemporâneas, por um lado, e propondo novas formas de organização política, por outro. Movimentos sociais organizados, sobretudo de jovens, assim como novas formas de ativismo individual emergiram no novo cenário urbano, geralmente pautando por uma agenda pública orientada pela ideia de “cidade para todos” e de novos espaços políticos em disputa. O presente painel procura convidar académicos, jornalistas e ativistas a apresentar comunicações que esclareçam as diferentes tipologias, ideologias, impacto e redes, internas e internacionais, dos novos movimentos urbanos na África subsariana, englobando as mais diversificadas expressões, desde a arte ao meio ambiente, desde o direito à saúde ao direito à educação, desde os direitos sexuais ao web-ativismo, acentuando de forma específica a agenda e as modalidades com que tais grupos ou ativistas individuais manifestam as suas instâncias.
Palavras-chave: Protestos; Direitos; Cidades; Estado

03

Popular protests, political opportunities and change in Africa

Edalina Rodrigues Sanches (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa)

Popular protests are recurrent forms of collective action in Africa, through which common people and diverse actors from civil society voice their discontent and campaign for collective rights in a more or less intermittent fashion. This has been the case during colonial struggles and the political transitions towards democracy in the early 1990s, and seems to be case presently. Data on popular protest in Africa (ACLED) in the 21st century, depict an unprecedented wave of protests (particularly since 2007 economic crisis), leading scholars to demarcate a third wave of popular protests. During this wave, people have gone into the streets to complaint against neoliberal policies, electoral fraud, incumbent presidents’ attempt to increase their mandate, citizenship rights but also bread and butter issues (e.g. cost of living, housing, food and fuel/subsides). It is argued that rapid urbanization, rising levels of literacy, decreasing costs of participation with the territorial expansion of ICTs and telecommunications and the dynamics of social mobilization have created sufficient contextual conditions for the massive upsurge observed. However, why are popular protests more impactful in some places than in others? Which political opportunities structure encourage collective action? This panel welcomes studies that focus on these – and related – questions from a country and cross-country perspective. The panel contributes to a better understanding of popular protest in Africa and to how it changes across time and space.
Keywords: Popular protest, Africa, triggers, political opportunity structures, impacts.

04

Activism in Africa in times of pandemic

Rafael Peçanha de Moura (UERJ)

The panel aims to gather and establish a dialogue between studies, research and experience regarding actions carried out by NGOs and other types of civil society representations in African countries during the Covid-19 pandemic period. The complex process of redemocratization of a large part of the continental countries has generated historical conflict situations between governments and activists, which is reflected, in a more prominent way, in the pandemic period, in which the necessity of rigor to order by the states, with regard to restrictive prevention and isolation measures, on the one hand; and, on the other hand, activist movements that are critical of these actions, or that even sometimes seek to collaborate with awareness measures against the new coronavirus, receiving, however, excessive responses, in clear counterpoint to human rights, as can be seen in the episode of early April, in Angola, in relation to the NGO MBAKITA. 
Keywords: Activism, Africa, Covid-19, Pandemic, Human Rights

O ativismo na África em tempos de pandemia

Rafael Peçanha de Moura (UERJ)

O painel tem o objetivo de reunir e estabelecer diálogo entre estudos, pesquisas e experiência referentes às ações realizadas por ONG’s e outros tipos de representações da sociedade civil em países africanos durante o período da pandemia da Covid-19. O complexo processo de redemocratização de boa parte dos países continentais tem gerado situações conflituosas históricas entre governos e ativistas, o que se reflete, de forma mais destacada, no período pandêmico, nos quais entram em choque a necessidade do rigor à ordem, por parte dos estados, no que tange às medidas restritivas de prevenção e isolamento, por um lado; e, de outro, movimentos ativistas críticos a estas gestões, ou que mesmo, por vezes, buscam colaborar com as medidas de conscientização contra o novo coronavírus, recebendo, ainda assim, respostas excessivas, em claro contraponto aos direitos humanos, conforme é possível observar no episódio do início de abril, em Angola, em relação à ONG MBAKITA.
Palavras-chave: Ativismo, África, Covid-19, Pandemia, Direitos Humanos.

05

Civil Society, African/Afro-Brazilian Social Movements and Higher Education

Álvaro Roberto Pires (UFMA)
Arnaldo Sucuma (ULB)
Ricardino Jacinto Dumas Teixeira (UNILAB)

The debate on civil society, African/Afro-Brazilian social movements and higher education, in a multidisciplinary and comparative perspective, opens up a plurality of theoretical and conceptual considerations on the struggle for the democratization of the emancipatory public space of the civil society and the social movements from which the possibility of building a full citizenship emerges. The central aim is to debate the process of participation of the social movements with the decline of the party system and the deepening of authoritarian practices. How do the movements develop their collective actions for the establishment of a new modus operandi? What modus operandi are these? Who are their actors? How are they used? How do the movements articulate themselves in a context marked by “competitive authoritarianism” and violence? What is the role of higher education in improving the dialogue with civil society? These are questions for this debate.
Keywords: Africa; Brazil; civil society; social movements; higher education.

Sociedade civil, movimentos sociais negro-africanos e ensino superior

Álvaro Roberto Pires (UFMA)
Arnaldo Sucuma (ULB)
Ricardino Jacinto Dumas Teixeira (UNILAB)

O debate sobre sociedade civil, movimentos sociais negro-africanos e o ensino superior, em África e no Brasil, em uma abordagem comparada e transdisciplinar, abre uma pluralidade de reflexões teórico-conceituais, que traz no seu bojo a luta pela democratização do espaço público baseada na perspectiva emancipatória da sociedade civil e dos movimentos sociais a partir do qual emergem à possibilidade de construção de uma cidadania plena. O objetivo é o de debater como se dá o processo de participação dos movimentos com o declínio do sistema partidário e a expansão de práticas menos democráticas? Como os movimentos desenvolvem ações coletivas para a instauração de um novo modus operandi? Que modus operandi são esses? Quem são seus operadores e como são operacionalizados? Como os movimentos se articulam num quadro marcado pelo “autoritarismo
competitivo” e pela violência? Qual é o papel de ensino superior no aperfeiçoamento do diálogo com a sociedade civil? Questões centrais para nossa reflexão.
Palavras chave: África; Brasil; sociedade civil; movimentos sociais; ensino superior.

06

1956-1958: A revolutionary period that changed Africa (and the world)

Francesco Correale (CNRS – UMR)
Gennaro Gervasio (Univ. Roma Tre)

The years 1956-1958 were a pivotal period in the history of Africa and its social movements. In Morocco and Tunisia, the end of the Protectorates (March 1956) was the logical consequence of two decades of struggle for independence led by local nationalist movements. The same is true for the independence of Sudan, which came into effect on 1 January 1956. Further south, Ghana, with Kwame Nkrumah, refused in 1957 any agreement with the colonial metropolis, obtaining full sovereignty on 6 March, followed a year later by Guinea (2 October 1958). This paved the way for the liberation from the colonial yoke of many other countries in the continent. Where the European colonial presence was reluctant to give way, nationalist movements tried to strengthen their positions. This is the case of the Algerian National Liberation Front which set up its Provisional Government in Cairo in September 1958, aiming to play a fundamental role both in the continuation of the armed struggle and in the negotiations with France which would eventually lead the country to independence in 1962. Likewise, the Liberation Army which fought against the French in Morocco, at the end of 1956 decided to continue the struggle for emancipation from colonial rule in Mauritania and the Spanish Sahara.
In all the cases cited, the success of the anti-colonial struggle did not mean the end of the political struggle. The objective of the social movements changed, and mobilisations were no longer against an external enemy but with a view to obtaining space within the new states and consolidating their societal foundations. Moreover, this was already happening in other countries, such as Egypt, where a powerful workers’ movement had already discovered the authoritarian face of the July 1952 ‘revolutionary’ military regime, and still had been able to mobilise at the time of the Tripartite Aggression of Suez 1956, and after.
It is important to stress that the international context had a huge impact on social mobilizations in the African continent. One only needs to think of the new Soviet course which was inaugurated at the beginning of 1956 with the opening of the 20th CPSU Congress in Moscow, and the hopes of openness that it raised in the countries of the communist bloc, provoking, for example, the Hungarian revolution of October/November 1956.
The objective of this panel is to compare the various social mobilizations that took place in Africa during the years 1956-1958 and which arguably constitute a historical watershed. The main aim of the panel is not the making of an abstract comparative analysis, but the analysis, based on the testimonial material collected, of how the memory of these events has been structured over time. Moreover, we are interested in understanding what the impacts of these social movements were on the structuring of states and what continuities can be found between the mobilizations of that period and the ary social mobilizations that have shaken the continent in the last ten years, from the ‘Arab Spring’ of 2011 onwards.

07

Decolonizing LGBTIQ Activism in Mozambique

Diana Alberto Francisco Zeca (Mata-bicho Feminista)

A few years ago —2015— Mozambique legally decriminalized the existence of homosexual people and same-sex unions, however, we still are an underrepresented group in political, religious, economic and social spheres in general, and we continue to be invisible, stigmatized. and excluded in different ways in our day-to-day lives.
Education with Pride is an independent project that seeks to promote the human rights, well-being and social inclusion of lesbians, gays, bisexuals, transgenders and intersex people, starting in school and academic environment with a focus on secondary and university institutions due the teen and young age group, at the same time that in an academic research side seeks to understand how these spaces are presented to LGBTI, what experiences are there and what is the best way to make those experiences healthier.
Whereas the Southern African region is in a period close to a decisive change regarding the recognition of LGBTI citizenship, a number of new challenges arise in order to sustain the progress made towards equality and freedom for LGBTI folks, along with the need for a range of public defense strategies for LGBTI human rights activists (especially transgender, intersex and lesbian groups who are the least resourceful and the most invisible) and a firmer direct engagement by duty agents in the public, private and social spheres – for profound and lasting change in public policies and attitudes.
We believe that we should focus on a post-colonial approach, which focuses on the use of native forms of resistance and on a traditional type of knowledge to deal with LGBTIphobia, such as, the recurrence of the use of local languages for certain interactions not only in academic environment, but also in our everyday realities. Still in this philosophy, we aim to invest in the direct empowerment of the LGBTI population, through the creation of healing spaces and opportunities for self-development for queer people to reach their potential, proposing an inclusion in the structures to eliminate the pre-notion of “other” and building a bridge to healthy coexistence. We are also do not conceive of the LGBTI struggle as a unique and consequently solitary struggle, we see in the association and union with other causes and social movements, the most adequate way to reach the individual and collective objectives that at the end of the day benefit everyone completely. We also join when necessary, with national and regional institutions already established in the field of LGBTI activism such as the Coalition of African Lesbians (CAL) and Lambda in order to obtain a more mature perspective on how to proceed in hostile situations. Finally, because we recognize that the goal is to coexist in the most friendly and healthy possible way, we also associate with “champions” who are people who are not part of the community, but who have considerable influence on the general public, and advocate for the rights of the community.
Aware that circumstances are not static, we are always available to innovate in our strategies in search of a better reality.
Keywords: Post-colonial approach; LGBTI struggle; Social movements, LGBTI activismo

Descolonizando o Ativismo LGBTIQ em Moçambique

Diana Alberto Francisco Zeca (Mata-bicho Feminista)

Há alguns anos -2015- Moçambique legalmente descriminalizou a existência de pessoas homossexuais e a união de pessoas do mesmo sexo, porém, ainda somos um grupo sub-representado em esferas políticas, religiosas, económicas e sociais no geral, e continuamos sendo invizibilizadx, estigmatizadx e excluídx de diversas formas no nosso dia-a-dia.
Educação com Orgulho é um projecto independente que busca promover os direitos humanos, o bem-estar e a inclusão social de lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e pessoas intersexo, começando no meio escolar e académico com foco em instituições do ensino secundário e universitário devido a faixa-etária adolescente e jovem, ao mesmo tempo que num lado académico de pesquisa procura compreender como estes espaços se apresentam para LGBTI, quais a experiencias que lá acontecem e qual a melhor forma de tornar essas experiencias mais saudáveis.
Considerando que a região da África Austral encontra-se num período próximo a uma mudança decisiva no que diz respeito ao reconhecimento da cidadania das pessoas LGBTI, surgem vários novos desafios para poder sustentar o progresso feito em prol da igualdade e a liberdade de pessoas LGBTI, juntamente com a necessidade de uma gama de estrategias de defesa pública de ativistas de direitos humanos de LGBTI (especialmente grupos de transgéneros, intersexo e lésbicas que são os com menos recursos e mais invisibilizados) e um engajamento direto mais firme por parte de agentes de deveres nas esferas pública, privada e social – para mudança profundas e duradoura nas políticas e atitudes públicas.
Acreditamos que devemos nos concentrar em uma abordagem pós-colonial, que foque no uso das formas nativas de resistência e num tipo tradicional de conhecimento para lidar com a LGBTIfobia, como por exemplo, a recorrência ao uso de línguas locais para certas interações não apenas no ambiente académico, mas também nas nossas realidades cotidianas. Ainda nessa filosofia, pautamos por investir no empoderamento direto da população LGBTI, através da criação de espaços de cura e oportunidades de autodesenvolvimento para pessoas queer poderem alcançar o seu potencial propondo uma inclusão nas estruturas tentando eliminar a pré-noção de “outro” e construindo uma ponte para coexistências saudáveis. Pautamos também por não conceber a luta LGBTI como uma luta única e consequentemente solitária, vemos na associação e união com outras causas e movimentos sociais, o caminho mais adequado para alcançarmos os objectivos individuais e coletivos que no final do dia beneficiam completamente a todx. Juntamo-nos também quando necessário, com instituições nacionais e regionais já firmadas no campo de ativismo LGBTI como a Coligação de Lésbicas Africanas (CAL) e Lambda de modo a obter uma perspectiva mais madura de como proceder em situações de hostilidade. Por fim, por reconhecermos que o objetivo é coexistir da forma mais amigável e saudável possível, associamo-nos também com “campeões” que são pessoas que não fazem parte da comunidade, mas que tem considerável influência sob o publico em geral e advogam pelos direitos da comunidade.
Cientes de que as circunstâncias não são estáticas, mantemo-nos sempre disponíveis para inovar nas nossas estratégias em busca de uma melhor realidade.
Palavras-chave: Abordagem pós-colonial; Luta LGBTI; Movimentos sociais, ativismo LGBTI

08

Women, poitics of culture and social movements

Jacimara Santana (Uneb)
Natália Cabanillas (Unilab)

In the last four decades, Social History had been developing new methodologies in order to revisit – and challenge- the idea that Social Movements should be associated only to extraordinary and massive events happening on national scale and transforming the opressive structures in the societies.  These new approaches  make visible discrete ways of contesting  and negotiating those very same structures on everyday bases, in order to guarantee autonomy of the self  –either individual or communitariam.  These patterns of everyday struggles are concerned with identities, race, ethnicity, gender, age, sexualities and territories –among others- in the path to raise conciousness about the opressions, and simultaneously, create new possibilities of transformation in relation to the state and other local powers. Through this methodologies it is possible to identify social movements in a middle-term between the massive demostrations of insurrectional model and the politics of everyday contestation with its diverse agenda. Willing to amplify what do we include in the arquives of women engagement in social movements, this Simposium aims to call papers that focused on women´s (or gender non conforming people´s) intervention to mobilise culture as an strategical terrain to contest and transform the social landscape in colonial or post-colonial African and/or Brazilian contexts.
Keywords: Women –activism- Politics- Culture- Africa – Brazil

Mulheres, política cultural e movimentos sociais em África e Brasil

Jacimara Santana (Uneb)
Natália Cabanillas (Unilab)

Desde os anos 1980 que a história social vem contribuindo com novas metodologias de análises que deram origem a uma farta produção, responsável por revisar a ideia de movimentos sociais associada a eventos extraordinários e de grande dimensão capazes de transformar o sistema de opressão nas sociedades. Essa nova produção tornou visível formas mais discretas e rotineiras de luta desencadeadas na vida diária, por vezes, visando garantir a própria autonomia e defesa pessoal bem como coletiva, considerando como relevantes o fator das identidades de raça, gênero, geração, a disidência sexual, territorial entre outras nos processos de tomada de consciência das opressões e o desencadeamento de reações capazes de causar mudanças nas relações de poder local e estatal. Essas abordagens possibilitam identificar movimentos sociais como um meio-termo entre as formas de protesto extraordinárias de grande dimensão e aquelas desencadeadas no dia a dia por motivos diversos. Visando ampliar o registro da participação feminina nos movimentos sociais ao longo do tempo, este simpósio tem por objetivo reunir trabalhos que dialoguem acerca da intervenção das mulheres  -e/ou de sujeitos LGTBIQ- na mobilização da cultura como estratégia política de contestação e transformação social em contextos de subordinação decorrente do domínio colonial ou resultante do seu impacto em países africanos e no Brasil.
Palavras-chave: Mulheres – ativismos- política- cultura- África – Brasil

09

Necropower in African Contexts: activism against extrivist megaprojects and struggles for citizenship and land

Vico Melo (IH/Unilab)
Fabrício Rocha (SEMAS-PA)
Iadira Antonio Impanta (UFRN-Natal)

After the collapse of colonial regimes in the second half of the 20th century, several African countries went through a renewed process of economic dependence – or commonly called neocolonialism, in the words of the thinker and activist Kwame Nkrumah – when adopting the neoliberal prescription and adhering to economic programs of structural adjustment recommended by the IMF and World Bank. The liberalization of the economy did not mean a procedure for social inclusion, rather another cycle of economic underdevelopment that began to penalize a considerable portion of the African population by granting the state co-management to international organizations.
In accordance with the policy of the neoliberal/neocolonial state, it is undeniable, in the logic of necropower, the impacts of companies and transnational extractive projects in the rearrangement and reconfiguration of spaces, in the environment and in the ways of life of part of the populations of African continent. The world of life is constantly shifted to the world of work and appropriation/expropriation, where accumulation and profit are the only goals to be achieved, transforming subjects and people into “machine-people”, “thing-people”, “commodity people” and “currency people”. The necropower can be noticed, mainly, through the performances of multinational companies with private or public capital from central and emerging countries, which disrupt deep community strategic issues and reflect a type of coloniality of power of the local political-economic elites.
With a neoliberal-developmentalist discourse, mining/extractive projects in Africa are reenacting colonial marginalization practices, making the promise of social inclusion unfeasible. In the regions where they are located, they are promoters of social conflicts, regional impoverishment, being, above all, accused of deforestation and water contamination. The destruction of the environment and the ecological issue are central themes in the political, social and economic debate for the 21st century. We believe that the transformation of the capitalist/colonial system should not be done through its reconceptualization, but through a process of overcoming the current model, understanding that the debate must be carried out mainly in those societies marginalized by the system.
It is necessary to think-act beyond transformative doctrines such as Marxism, without leaving them aside, and to produce-do from peripheral perspectives, such as the post-colonial and ecological studies (ecosystems, eco-communism, etc.), investing in other epistemological forms on socioeconomic development. Stopping the destructive logic of capitalism/colonialism consists in making the struggle of the peoples of the forests, rivers, savannas and plains against the destructive fate of agribusiness, pharmaceutical multinationals and developmental megaprojects in Africa present and pressing.
Based on different epistemological perspectives of the social sciences and African studies, in this panel we look for presentation proposals that aim to improve the debate on resistance to extractive mega projects, new forms of activism and civil society organization (union movements, mining workers, state bodies and local NGOs in defense to the right to land), new development models for family farming, for combating poverty and strengthening citizenship.
Keywords: Africa, Capitalism/Colonialism, Mega-projects, Environment, Activisms.

Necropoder em Contextos Africanos: os ativismos contra os megaprojetos extractivistas e as lutas por cidadania e pela terra

Vico Melo (IH/Unilab)
Fabrício Rocha (SEMAS-PA)
Iadira Antonio Impanta (UFRN-Natal)

Após o colapso dos regimes coloniais na segunda metade do séc. XX, vários países africanos passaram por um renovado processo de dependência económica – ou comumente chamado de neocolonialismo, nas palavras do pensador e ativista Kwame Nkrumah – ao adotarem o receituário neoliberal e aderirem à programas económicos de reajuste estrutural preconizados pelo FMI e Banco Mundial. A liberalização da economia não significou um procedimento de inclusão social, mas um outro ciclo de subdesenvolvimento econômico que passou a penalizar considerável parcela da população africana pela outorga na cogestão estatal por organismos internacionais.
Em conformidade com a política do Estado neoliberal/neocolonial é inegável, na lógica do necropoder, o impacto da atuação de empresas e dos projetos extractivistas transnacionais no rearranjo e na reconfiguração dos espaços, no meio ambiente e nos modos de vida de parte das populações do continente africano. O mundo da vida é constantemente deslocado para o mundo do trabalho e da apropriação/expropriação, onde a acumulação e o lucro são os únicos objetivos a serem alcançados, transformando sujeitos e pessoas em “pessoas-máquina”, “pessoas-coisa”, “pessoas-mercadoria” e “pessoas-moeda”. Nota-se o necropoder, principalmente, por meio da atuação de empresas multinacionais de capital privado ou público dos países centrais e emergentes, as quais desestruturam questões estratégicas comunitárias profundas e refletem um tipo de colonialidade do poder das elites político-económicas locais.
Com um discurso neoliberal-desenvolvimentista, os projetos mineiros/extrativistas em África estão a reencenar práticas coloniais de marginalização, tornando a promessa de inclusão social inviável. Nas regiões onde estão implantados, são promotores de conflitos sociais, empobrecimento regional,  sendo, sobretudo, acusados de agentes de desflorestamento e de contaminação das águas. A destruição do meio ambiente e a questão ecológica são temas centrais no debate político, social e económico para o séc. XXI. Acreditamos que a transformação do sistema capitalista/colonial não deva ser pela sua reconceptualização, mas por um processo de superação do modelo vigente, entendendo que o debate deve ser avançado principalmente nas sociedades marginalizadas pelo sistema.
É preciso pensar-agir para além das doutrinas transformadoras como o marxismo, sem deixá-las de lado, e produzir-fazer a partir das perspectivas periféricas, como os estudos pós/de(s)coloniais e ecológica (ecosocialismo, ecocomunismo, etc.), investindo em outras formas epistemológicas sobre desenvolvimento socioeconômico. Frear a lógica destrutiva do capitalismo/colonialismo consiste em fazer presente e premente a luta dos povos das florestas, dos rios, das savanas e planícies contra a sanha destruidora do agronegócio, das multinacionais farmacêuticas e dos megaprojetos desenvolvimentistas em África.
Baseado em distintas perspectivas epistemológicas das ciências sociais e dos estudos africanos, neste painel buscamos trabalhos que visem aprimorar o debate sobre resistência aos megaprojetos extractivistas, novas formas de ativismo e organização da sociedade civil (movimentos sindicais, de trabalhadores mineiros, organismos estatais e ONGs locais, em defesa ao direito a terra), novos modelos de desenvolvimento para agricultura familiar, de combate à pobreza e de reforço à cidadania.
Palavras-chave: África, Capitalismo/Colonialismo, Megraprojetos, Meio ambiente, Ativismos.

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Sexualities in African contexts and their political demands

Francisco Miguel (Universidade de Brasília)
Nelson Mugabe (UniRovuma)

Unlike the Anglophone scene, which has recently produced collections on sexualities in African contexts (Tamale, 2011; Nyeck & Epprecht, 2013; Nyeck, 2019; Epprecht et al, 2019; Spronk & Hendriks, 2020) and which, in large part, are the result of specialized events on this issue, in Portuguese-speaking countries such publications have been individual initiatives and in a dispersed way. Thus, the current Portuguese-speaking academic landscape needs to consolidate a network of dialogues both internally and outside the Portuguese-speaking world. On the other hand, English-and-French-speaking researchers have had little access to research results published in Portuguese language. In this sense and joining the efforts of the last Activism in Africa (2019) it is important to continue the dialogues that bring together researchers from various origins, specialized on the theme of sexualities in African contexts and the activisms related to them. To contribute to the construction of this network, the proposal of this panel is to bring together original works on activism with sexual and gender guidelines in different African contexts. Communication proposals with historiographical, ethnological, ethnographic, sociological or epidemiological perspectives will be all welcome, addressing the social and political movements that claim sexual and reproductive rights in Africa, such as the right to abortion, contraceptives and family planning. Also, it will be welcome researches on the legalization of sex work; on eradicating sexual violence; on combating epidemics of HIV/AIDS and other sexually transmitted diseases; on the recognition of non-hegemonic sexual identities and their civil rights (marriage and LGBT adoption, name change in the civil registry, sexual reassignment surgery, access to education and employment among these populations), among other claims about sexualities that were or are being made by African populations.
Keywords: Africa; Sexuality; Activism; Politics; Sexual Rights.

Sexualidades em contextos africanos e suas reivindicações políticas

Francisco Miguel (Universidade de Brasília)
Nelson Mugabe (UniRovuma)

Diferentemente do cenário anglófono, que tem recentemente produzido coletâneas sobre sexualidades em contextos africanos (Tamale, 2011; Nyeck & Epprecht, 2013; Nyeck, 2019; Epprecht et al, 2019; Spronk & Hendriks, 2020) e que, em grande parte, são resultado de eventos especializados sobre a temática, nos países lusófonos tais publicações têm se dado por iniciativas individuais e de forma dispersa. Sendo assim, o cenário acadêmico lusófono atual carece de consolidar uma rede de diálogos tanto internamente à lusofonia quanto fora dela. Por outro lado, os pesquisadores de língua inglesa e francesa têm tido pouco acesso aos resultados das pesquisas publicados em português. Nesse sentido e juntando-se aos esforços do último Activism in Africa (2019) é importante dar continuidade aos diálogos que reúnam pesquisadores de várias origens, especializados na temática das sexualidades em contextos africanos e dos ativismos a elas relacionados. Para contribuir na construção dessa rede, a proposta deste painel é congregar trabalhos originais sobre ativismos com pautas sexuais e de gênero em distintos contextos africanos. Serão bem-vindas propostas de comunicação com perspectivas historiográfica, etnológica, etnográfica, sociológica ou epidemiológica, que tratem dos movimentos sociais e políticos que reivindicam, em África, direitos sexuais e reprodutivos, tais como o direito ao aborto, aos contraceptivos e ao planejamento familiar. Além dessas, também são bem-vindas pesquisas sobre a legalização do trabalho sexual; a erradicação da violência sexual; o combate às epidemias de HIV/AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis; o reconhecimentos de identidades sexuais não hegemônicas e seus direitos civis (casamento e adoção LGBT, mudança do nome no registro civil, cirurgia de redesignação sexual, acesso à educação e ao emprego entre essas populações), entre outras reivindicações sobre sexualidades que foram ou que estão sendo feitas pelas populações africanas.
Palavras-chave: Africa; Sexualidade; Ativismo; Política; Direitos Sexuais.

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Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa

Laura António Nhaueleque Cemri (Universidade Aberta, Portugal)

Sub-Saharan Africa, a region which includes 47 countries South of Sahara Desert, is facing various kinds of challenges until today: hunger, poverty, injustices and many others. They represent a mark of a weak culture of respect for human rights.
From the obtaining of their political independences, many countries in Africa, especially in Sub-Saharan Africa, showed an attitude far away from the culture and the respect for human rights. For, almost all those countries experienced dictatorial regimes, of socialist as well as of racist type. Because of this reason, the adoption of “open” and tolerant political systems became a serious challenge, despite the fact that almost all them adhered formally to the Universal Declaration of Humanos Rights of 1948. Nevertheless, the weak culture of the respect for human rights was formally received, adopted and also partially implemented during the 1990s, with processes of liberalization and the adoption of multiparty systems. Nonetheless, after this short season, the situation, in general, suffered a new process of degradation. Today, daily very serious cases of violations of human rights are reported, in the political, civil or social sphere.
In Sub-Saharan Africa many activists as well as civil society movements which stand for human rights are facing restrictions and shocks with local political elites, which barely tolerate criticisms.
Due to this precarious and stark situation in Sub-Saharan Africa, this panel aims to propose a very inclusive approach towards activism in human rights in Africa, including all the different areas, as: gender rights, minorities rights (of ethnic, sexual, religious kind and so on), etc. Therefore, communications will be accepted with the goal to give a clear idea of what is happening in this moment inside the social movements of activists in human rights in Sub-Saharan Africa, emphasizing their relations with local governments as well as with international donors. A specific interest will be reserved for networks of activists inside and outsider Africa, including Brazil.
Keywords: social movements; State; democracy

Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa

Laura António Nhaueleque Cemri (Universidade Aberta, Portugal)

A África Subsaariana, a região que abrange 47 países abaixo do deserto do Sahara, até hoje, enfrenta problemas de vária natureza, desde a fome, pobreza, guerras, injustiças entre outros, que se assinalam como verdadeiros indícios da fraca cultura de respeito pelos diretos humanos.
Desde a obtenção das independências africanas, em particular da             África Negra, muitos países mostraram-se distantes à cultura do respeito pelos direitos humanos. Com efeito, quase todos eles passaram por regimes ditatoriais, quer de matriz socialista, quer racista, pelo que a adoção de sistemas políticos “abertos” e tolerantes se tornou um sério desafio, apesar de quase todos eles terem aderido formalmente à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. A fraca cultura do respeito pelos diretos humanos foi, porém, formalmente recebida, adotada e de certa forma implementada em torno dos anos 1990, com os processos de liberalização e de adoção de sistemas multipartidários. Entretanto, depois desta breve estação, a situação, no geral, foi-se de novo degradando, até aos dias de hoje, em que são reportados diariamente casos gravíssimos de violação dos direitos humanos, quer de tipo político, civil ou social.
Existem nesta região de África, alguns movimentos e ativistas que aqui trabalham na defesa dos direitos humanos, porém, muitos destes enfrentam restrições e choques com as elites políticas e governamentais locais, que mal toleram as críticas dos ativistas.
Movido por esta situação cada vez mais precária e gritante do respeito pelos direitos humanos na África Negra, este painel pretende apresentar uma abordagem sobre o ativismo em África de forma muito abrangente, ou seja, abarcando todas as áreas, como por exemplo: direitos do género, das minorias (étnicas, sexuais, religiosas, das crianças, etc.), entre outras áreas. Serão, portanto, aceites comunicações que visem dar uma ideia mais clara daquilo que está acontecendo neste momento entre os movimentos dos ativistas dos direitos humanos na África Subsaariana, nas suas relações com os governos locais assim como com os doadores internacionais, com um olhar de interesse específico para as redes de ativistas que estão-se formando dentro e fora da África, inclusive, o Brasil.
Palavras-chave: movimentos sociais; estado; democracia.

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Displacement as Activism: Resistance against slavery and mobile struggles for equality in West Africa and the Diaspora

Lotte Pelckmans (AMIS, Copenhagen University)
Marie Rodet (SOAS, University of London)

This panel sheds light on the complex intersections between migration, resistance and activism against slavery in past and present West Africa and the Diaspora. By analyzing migration in particular as a form of resistance we want to explore how, and under which circumstances populations with ascribed slave status have used their mobility as a form of resistance against slavery, and turned to ‘mobile activism’ to claim equal rights, notably to secure equal access to land tenure. We propose to take a longue-durée perspective to better understand under which socio, economic and political circumstances such ‘mobile activism’ have occurred and continue to occur today. We invite papers by both activists and academics that address these issues. We also invite propositions that engage with how and why -despite their regular occurrences in the past 100 years-, this mobility has not been analysed/recognized as indigenous forms of African activism against slavery.
Keywords: Activism, West Africa, Mobility, Equality, (descent- based) Slavery

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Affirmative policies and the protagonism of black movements: challenges in the education of ethnic-racial relations in the Brazil/Africa dialogue

Michele Guerreiro Ferreira (Secretaria Estadual de Ensino de Pernambuco)
Janssen Felipe da Silva (UFPE)
Camila Ferreira da Silva (Secretaria Municipal de Ensino de Santa Cruz do Capibaribe)

The education of ethnic-racial relations is part of a historic struggle by the Black Social Movements for the right to see black people portrayed positively in the curriculum of Brazilian education systems, strengthening, through school education, the fight against racism. However, the obligation to teach Afro-Brazilian, African and Indigenous History and Culture in the education networks was considered the point of arrival of such a historic struggle, but also a starting point for facing enormous challenges that remain latent such as construction of anti-racist pedagogies. This panel accepts papers that deal with the main acts of the Black Movements that resulted in the formulation of Affirmative Action Policies to face racism, emphasizing those that address the field of Education. Thus, reflections on the victories and challenges of education in ethnic-racial relations are accepted, emphasizing the possibility of learning through Atlantic exchanges through a necessary dialogue between our country and the African continent.
Keywords: Protagonism of Black Social Movements. Affirmative Action Policies. Education of Ethnic-Racial Relations. Atlantic Exchanges.

Políticas afirmativas e o protagonismo dos movimentos negros: desafios no campo da educação das relações étnico-raciais no diálogo Brasil/África

Michele Guerreiro Ferreira (Secretaria Estadual de Ensino de Pernambuco)
Janssen Felipe da Silva (UFPE)
Camila Ferreira da Silva (Secretaria Municipal de Ensino de Santa Cruz do Capibaribe)

A educação das relações étnico-raciais faz parte de uma luta histórica dos Movimentos Sociais Negros pelo direito de ver o negro retratado de forma positiva nos currículos dos sistemas de ensino do Brasil, fortalecendo, pelo viés da educação escolar, o enfrentamento do racismo. Todavia, a conquista da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena nas redes de ensino foi considerada ponto de chegada de tal luta histórica, mas também um ponto de partida para o enfrentamento de enormes desafios que permanecem latentes como a construção de pedagogias antirracistas. O presente painel acolhe trabalhos que tratem dos principais atos dos Movimentos Negros que culminaram em medidas que resultaram em Políticas de Ação Afirmativa de enfrentamento do racismo, enfatizando aquelas que se dirigem ao campo da Educação. Dessa forma, aceita-se reflexões sobre os alcances e os desafios da educação das relações étnico-raciais, enfatizando a possibilidade de aprendizagens por meio das trocas atlânticas através de um diálogo necessário entre o nosso país e o continente africano.
Palavras-chave: Protagonismo dos Movimentos Sociais Negros. Políticas de Ação Afirmativa. Educação das Relações Étnico-Raciais. Trocas Atlânticas

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Counter-colonial Feminisms, Dissident Gender Movements and Human Rights Activisms: An Africa-South American Dialogue

Vivian Matias dos Santos (UFPE)
Nzira Razão de Deus (Fórum Mulher, Moçambique)
Boaventura Monjane (CES-Coimbra)

Historically-colonized societies continue to struggle for liberation, not achieved with the so called legal and formal independence from the colonizers. It is known that, although as a result of such independencies local governments have been formed, nation-states installed with the end of the process of direct colonial domination – colonialism – continue to reproduce an oppressive and exploitative logic re-edited by imperialism until the present day.Thus, such states are unable to offer their ‘citizens’ the full exercise of rights, since these same states are the main means by which colonial domination remains – coloniality – editing lives and producing deaths. Human rights, which we do not uncritically evoke because of their Eurocentric historical limitations, remain a constant battle for millions in the Global South.
Here we think of human rights along the paths of “subversive complicity” that seeks to use modern-colonial constructions as an insurgent counterpoint to the legacies of colonial modernity, capitalism and imperialism.
In this battle, the struggles for the liberation and emancipation of women, gender dissidents, peoples of Africa and in the diaspora, and peoples from Abya Yala (territory that was conventionally called America) continue to be the most important. Black, indigenous, women’s, feminist and gender dissident movements are continuously emerging in the Global South, articulating political actions, discourses and narratives mobilizing public opinion and building diverse and multiple paths of resistance, for the end of hetero patriarchal and racist oppression, a legacy of colonial and structural processes for capitalist development. In this path, women are powerfully influencing change, public policies and social transformations with a view to a more humane and egalitarian society that respects the principles of human rights and democracy. Women, activists and feminists embrace the struggles for their freedoms and those of future generations in a context laden with structural violence and state violence.
In the face of these struggles, as a counterpoint to the colonial legacy and understanding the inseparability between the oppressions of race, gender, sexuality, territory, generation and class exploitation, this panel intends to discuss the daily experiences of struggles and resistance of women, feminists and gender dissidents on the African continent and in South America, to explore synergies and consolidate trans-Atlantic alliances.
Keywords: Human Rights, Feminisms, Africa, South America, Activism.

Feminismos contra-coloniais, movimentos sexo-gênero dissidentes e ativismos pelos direitos humanos: Um diálogo África-América do Sul

Vivian Matias dos Santos (UFPE)
Nzira Razão de Deus (Fórum Mulher, Moçambique)
Boaventura Monjane (CES-Coimbra)

As sociedades historicamente colonizadas continuam a batalhar para alcançarem a libertação não alcançada com as supostas independências jurídico-formais de seus colonizadores. É sabido que, embora em resultado de tais independências governos locais se tenham constituído, os Estados-nação instalados com o término do processo de dominação colonial direta – o colonialismo – continuam reproduzindo uma lógica opressora e exploratória reeditada pelo imperialismo até os dias atuais.
Assim, tais Estados não são capazes de oferecer aos seus “cidadãos e cidadãs”, o exercício pleno de direitos já que estes mesmos Estados são o principal meio pelo qual a dominação colonial permanece – a colonialidade – editando vidas e produzindo mortes.
Os direitos humanos, que não os evocamos acriticamente pelas suas limitações históricas eurocêntricas, continuam a ser uma batalha constante para milhões no Sul Global.
Aqui, pensamos em direitos humanos pelos caminhos da “cumplicidade subversiva” que busca usar as construções moderno-coloniais para a contraposição insurgente aos legados da modernidade colonial, ao capitalismo e ao imperialismo.
Nessa batalha, as lutas pela libertação e emancipação das mulheres, pessoas sexo-gênero dissidentes, povos de África e em diáspora e povos originários de Abya Yala (território que se convencionou denominar América) continuam a ser as das mais importantes. Movimentos negros, indígenas, de mulheres e  feministas e sexo-gênero dissidentes emergem continuamente no Sul Global, articulando ações políticas, discursos e narrativas mobilizando a opinião pública e construindo caminhos de resistência diversos, múltiplos pelo fim da opressão cis hetero patriarcal e racista, herança dos processos coloniais e estruturais para o desenvolvimento capitalista. Neste percurso as mulheres, de modo potente, vão influenciando a mudança, políticas públicas e as transformações sociais com vista a uma sociedade mais humana, mais igualitária que respeite os princípios de direitos humanos e democracia. As Mulheres, activistas e feministas abraçam as lutas pelas suas liberdades e das gerações vindouras num contexto carregado de violências estruturais e violências de estado.
Diante destas lutas, como contraposição ao legado colonial e compreendendo a indissociabilidade entre as opressões de raça, gênero, sexualidade, território, geração e exploração de classe, este painel pretende discutir as experiências quotidianas de lutas e resistências  de mulheres, feministas e sexo-gênero dissidentes no continente Africano e na América do Sul, para explorar sinergias e consolidar alianças trans-atlánticas.
Palavras-chaves: Direitos Humanos, Feminismos, África, América do Sul, Activismo.

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Racialized female bodies: White hegemony and insurgencies in Africa and the Diasporas

Ana Helena Ithamar Passos (Universidade de São Paulo)
Paola Diniz Prandini (Universidade de São Paulo)

The revolution will be feminist! With this and other political insurgencies, feminism in the 21st century has become one of the largest movements of resistance to global political phenomena. At the end of the twentieth century, in an epistemological bias, a new production of knowledge was emerging with force: intersectional feminism. The concept of intersectionality (AKOTIRENE, 2018; CRENSHAW, 2002), LGBTQI + production and activism, as well as the expansion of studies on Black feminisms enter the scene and question the discursive uniqueness about feminism, raising a reflection: is feminism White?  Theories of critical whiteness studies (BENTO and CARONE, 2002; FRANKENBERG, 2004; SOVIK, 2009; STEYN, 2004; VRON WARE, 2004; WESTHUIZEN, 2017) are allocated within the production of post-colonial knowledge and provide tools to expand the critical debate of racial theories as well as to broaden the understanding of feminist movements and the political agendas of women in intersectional activism. To question the place of White women in feminism is also to dialogue with the plurality of practices and knowledge about societies as artists and intellectuals, such as Grada Kilomba, offer us. “This meeting reveals how ‘race’ and gender are inseparable. […] The experience involves both because racist constructions are based on gender roles and vice versa, and gender has an impact on the construction of ‘race’ and the experience of racism” (KILOMBA, 2019, p. 94).
Based on this scenario, the purpose of this panel, to be included in the program of the 3rd International Conference on Activisms in Africa, is to build a critical discussion on the privileges and meanings surrounding the corporeality of White women, who inhabit different locations both on the African continent as in their diasporas. Along with this, this proposal will also seek to reflect collectively on what whiteness has to do with feminism, and more, to understand the different dynamics of power and non-power over racialized bodies in different realities and how racial belonging emerges as a marker of experiences in colonial societies.
It is a discussion closely linked to contemporaneity, since the social markers of difference, such as race and gender (from the perspective of critical whiteness studies), are part of both the theoretical discussion on intersectional feminism and the activism of feminist movements. who seek racial and gender equity in African and Afro-diasporic societies.
Keywords: whiteness, feminism, intersectionality, Africa, diasporas.

Corpos femininos racializados: hegemonia branca e insurgências em África e nas Diásporas

Ana Helena Ithamar Passos (Universidade de São Paulo)
Paola Diniz Prandini (Universidade de São Paulo)

A revolução será feminista! Com essa e outras insurgências políticas, o feminismo no século XXI torna-se um dos maiores movimentos de resistência aos fenômenos políticos globais. Já no final do século XX, em um viés epistemológico, emergia com força uma nova produção de conhecimento: o feminismo interseccional. O conceito de interseccionalidade (AKOTIRENE, 2018; CRENSHAW, 2002), a produção e o ativismo LGBTQI+, assim como a ampliação dos estudos sobre os feminismos negros entram em cena e questionam a unicidade discursiva sobre o feminismo, levantando uma reflexão: o feminismo é branco?
As teorias dos estudos críticos da branquitude (BENTO e CARONE, 2002; FRANKENBERG, 2004; SOVIK, 2009; STEYN, 2004; VRON WARE, 2004; WESTHUIZEN, 2017) são alocadas dentro da produção de conhecimento pós-colonial e fornecem ferramentas para ampliar o debate crítico das teorias raciais como também para alargar o entendimento sobre os movimentos feministas e as agendas políticas de mulheres no ativismo interseccional. Questionar o lugar da mulher branca no feminismo é também dialogar com a pluralidade de fazeres e saberes sobre as sociedades conforme artistas e intelectuais, como Grada Kilomba, nos oferecem. “Esse encontro revela como ‘raça’ e gênero são inseparáveis. […] A experiência envolve ambos porque construções racistas baseiam-se em papéis de gênero e vice-versa, e o género tem um impacto na construção da ‘raça’ e na experiência do racismo” (KILOMBA, 2019, p. 94).
Com base neste cenário, o propósito deste painel, a ser incluído na programação da 3ª Conferência Internacional Ativismos em África, é construir uma discussão crítica sobre os privilégios e os significados em torno da corporeidade de mulheres brancas, que habitam diferentes localidades tanto no continente africano como nas suas diásporas. Junto a isso, esta proposta também buscará refletir coletivamente sobre o que a branquitude tem a ver com o feminismo, e mais, entender as diferentes dinâmicas de poder e não poder sobre corpos racializados em realidades distintas e como o pertencimento racial emerge como um marcador das vivências em sociedades coloniais.
Trata-se de uma discussão intimamente ligada à contemporaneidade, visto que os marcadores sociais de diferença, como raça e gênero (a partir da perspectiva dos estudos críticos de branquitude), fazem parte tanto da discussão teórica sobre feminismo interseccional como do ativismo de movimentos feministas que buscam a equidade racial e de gênero nas sociedades africanas e afrodiaspóricas.
Palavras-chave: branquitude, feminismo, interseccionalidade, África, diásporas.

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(Dis)Lusotropicalization of thought: Portugal/Africa activism

Ana Cristina Pereira (CES – Universidade de Coimbra)
Sílvia Roque (CES – Universidade de Coimbra)

In the last decade, it has become evident that Portugal, as a former colonial power, has not been able to (re) construct its relationship with Africa and Africans discursively, as a narrative of a Lusotropicalist tendency remains dominant. This narrative attributes the Portuguese a special propensity to relate to other peoples, at the same time that the brutalities of Portuguese colonialism are silenced and an active denial of racism in Portuguese society is insisted upon.
The recent migratory flows between several African countries and Portugal make these relations more complex and give rise to colonial myths, at the same time that they feed the systemic racism of Portuguese society. In 2019, the rise of a declared racist political party to parliamentary representativeness makes evident, on the one hand, the naturalization of racism in Portugal and, on the other, its hardening, as a structural practice.
From the 1990s onwards, at the same time that the organized anti-racist struggle was taking its first steps, the fields of academic and artistic production began, slowly but assertively, a movement towards the decolonization of thought and practices and introduced a reflection on the presence of the colonial past in the lines with which today’s social relations are woven.

In the second decade of the 21st century, a generation of Portuguese Afro-descendants took public space and demanded better living conditions and access to a more promising future, not accepting being treated as a foreigner, in the country where they were born, and also not accepting that immigrants from today have to go through the process of oppression / exploitation to which African immigrants have always been subject. In recent years, in addition to SOS Racism, an organization that appeared in the 1990s, several anti-racist associations have emerged, especially in Lisbon, but also in other parts of the country. As an example, we can mention: Police Brutality; Black Consciousness; NARP – Porto anti-racist group, NARC – Coimbra anti-racist group or Ghetto Platform. In addition to these, feminist associations and collectives also appear, almost all marked by the intersectionality metaphor, as a lens that helps to understand the way in which various forms of inequality operate together and enhance each other; for example, FEMAFRO – Association of Black, African and African Women in Portugal; INMUNE – Institute of Black Women in Portugal; Queering style; Zanele Muholi collective, of lesbians and bisexuals and also less formal collectives like Crespas e Cacheadas, We Love Carapinha, Nêga Filmes, Roda das Pretas, Chá das Pretas among several other associations led by black women, such as Afrolis – Associação Cultural; GTOLX – Theater Group of the Oppressed of Lisbon and the theater group Peles Negras Máscaras Negras.
The field of art has also been a place for (re) visitation, questioning and (re) signification of the representations of black men and women in Portugal as well as their relations with whiteness. There are ways to give life to memories and experiences of oppression, resistance and ways of life, through direct testimonies (oral and written) and the construction of artistic discourses that intend to give them body. At the base of this trend is the appearance of African and Afro-descendant creators, in places traditionally occupied by white people, mostly men – directors / poets / choreographers / etc.
This panel aims at reflecting on African and Afro-descendent activism in Portugal, its ramifications in the fields of art and academia and its representation in the media. We propose a reflection on the various forms that anti-racist activism takes at the present time in Portugal – civil society associations, political activism, cinema, theater, music, dance, etc.
Keywords: Lusotropicalism; systemic racism; afro-descendants

(Des)lusotropicalização do pensamento: ativismo Portugal/África

Ana Cristina Pereira (CES – Universidade de Coimbra)
Sílvia Roque (CES – Universidade de Coimbra)

Na última década, tem-se mostrado evidente que Portugal, enquanto ex-potência colonial, não tem conseguido (re)construir discursivamente a sua relação com África e com os africanos, na medida em que permanece dominante uma narrativa de pendor lusotropicalista, que atribui aos portugueses uma propensão especial para se relacionarem com outros povos, ao mesmo tempo que se silenciam as brutalidades do colonialismo português e se insiste numa negação ativa do racismo vigente na sociedade portuguesa.
Os recentes fluxos migratórios entre vários países africanos e Portugal complexificam estas relações e fazem ressurgir mitos coloniais, ao mesmo tempo que alimentam o racismo sistémico da sociedade portuguesa. Em 2019, a ascensão de um partido político declaradamente racista à representatividade parlamentar torna evidente, por um lado, a naturalização do racismo em Portugal e, por outro, o seu endurecimento, enquanto prática estrutural.
A partir dos anos de 1990, ao mesmo tempo que a luta antirracista organizada dava os seus primeiros passos, os campos da produção académica e artística encetaram de forma lenta, mas assertiva, um movimento no sentido de uma descolonização do pensamento e das práticas e introduziram uma reflexão sobre a presença do passado colonial nas linhas com que se tecem as relações sociais dos nossos dias.
Já na segunda década do século XXI, uma geração de afrodescendentes portugueses toma espaço público e exige melhores condições de vida e acesso a um futuro mais promissor, não aceitando ser tratada como estrangeira, no país onde nasceu, e não aceitando também que os imigrantes de hoje tenham que passar pelo processo de opressão/exploração a que os imigrantes africanos têm estado sempre sujeitos, em Portugal. Nos últimos anos, além do SOS racismo, organização que apareceu nos anos 1990, surgiram várias associações antirracistas, especialmente em Lisboa, mas também noutras partes do país. A título de exemplo, podemos referir: Brutalidade Policial; Consciência Negra; NARP – Núcleo anti-racista do Porto, NARC – Núcleo anti-racista de Coimbra ou Plataforma Gueto. Além destas, surgem também associações e coletivos feministas, quase todos marcados pela metáfora da interseccionalidade, como lente que ajuda a compreender a maneira como várias formas de desigualdade operam juntas e se potenciam mutuamente; por exemplo, FEMAFRO – Associação de Mulheres Negras, Africanas e Africanas em Portugal; INMUNE – Instituto de Mulheres Negras em Portugal; Estilo Queering; Coletivo Zanele Muholi, de lésbicas e bissexuais e também coletivos menos formais como Crespas e Cacheadas, We Love Carapinha, Nêga Filmes, Roda das Pretas, Chá das Pretas entre várias outras associações lideradas por mulheres negras, como Afrolis – Associação Cultural; GTOLX – Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa e o grupo de teatro Peles Negras Máscaras Negras.
Também o campo da arte tem sido lugar de (re)visitação, questionamento e (re)significação das representações dos negros e negras em Portugal bem como das suas relações com a branquitude. Proliferam formas de dar vida às memórias e experiências de opressão, de resistência e dos modos de vida, através de testemunhos diretos (orais e escritos) e da construção de discursos artísticos que pretendem dar-lhes corpo. Na base desta tendência está o aparecimento de criadores africanos e afrodescendentes, em lugares tradicionalmente ocupados pessoas brancas, na sua maioria homens – realizadorxs/poetas/coreógrafxs/etc.
Este painel visa uma reflexão sobre o ativismo africano e afrodescendente em Portugal, as suas ramificações nos campos da arte e da academia e a sua representação nos media. Propomos uma reflexão sobre as diversas formas que o ativismo antirracista assume no momento presente em Portugal – associações da sociedade civil, ativismo político, cinema, teatro, música, dança, etc.
Palavras-chave: lusotropicalismo; racismo sistémico; afrodescendentes

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Digital tools, technological artifacts, cyberactivism and social mobilizations in networks in global contexts

João Mouzart de Oliveira Junior (Pós-Afro/UFBA)
Renato de Lyra Lemos (PPGA/UFPE)

There is no doubt that we live in a digital society, permeated with digital tools and technological artifacts that practically alter the global landscapes of human life in its multiple aspects, thus creating new maps of affection in cyberspace. In this sense, Information and Communication Technologies (ICT’s) have caused very significant impacts on people’s daily lives, in the ways in which they interact socially with the universes around them and in the speed with which information reaches us. This has been changing not only the way we inform ourselves, but also how we communicate the issues of the world around us, problems that affect specific groups or society more broadly. The more people are inserted in the internet, the greater the chances of being integrated into society and of transmitting their ideas, worldviews and discontent. However, we know that groups that have been historically marginalized, especially Africans and Afro-diasporics, remain so in the digital age, either because they do not have access to these technologies or because their uses are based on the experience of collapse and repair. Thus, they have to create different strategies to be read, seen and heard, because as the internet is a remarkable space for narrative disputes it also becomes a powerful environment for the production and dissemination of counter-narratives. However, the uniqueness of certain projects often means that they do not achieve the objectives they intended, due to the lack of visibility. And it is from this perspective that the role of digital networks is shown to be crucial, acting collectively in order that those who have access to these tools can benefit from the collaborative aspect of these networks to implement, through the sharing of experiences, actions that seek build and implement social improvement projects, seeking to build a more democratic world. Thus, this Thematic Panel proposes to establish dialogues about network activism ventures in Africa and the Diaspora that use the internet as a promoter of social mobilization.
Keywords: Activism; Digital networks; Democratization; Africa; Diaspora.

Ferramentas digitais, artefatos tecnológicos, ciberativismo e mobilizações sociais em redes em contextos globais

João Mouzart de Oliveira Junior (Pós-Afro/UFBA)
Renato de Lyra Lemos (PPGA/UFPE)

Não resta qualquer dúvida de que vivemos em uma sociedade digital, permeadas de ferramentas digitais e artefatos tecnológicos que praticamente alteram as paisagens globais da vida humana em seus múltiplos aspectos, criando assim novos mapas de afeto no ciberespaço. Nesse sentido, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) têm causado impactos muito significativos no dia-a-dia das pessoas, nas formas como estas interagem socialmente com os universos ao seu redor e na velocidade com que as informações chegam até nós. Isso vem mudando não só a forma como nos informamos, mas também como comunicamos as questões do mundo ao nosso redor, problemas que atingem grupos específicos ou a sociedade de maneira mais ampla. Quanto mais as pessoas estão inseridas na internet maiores são as chances de serem integradas à sociedade e de transmitirem suas ideias, suas visões de mundo e seus descontentamentos. Porém, sabemos que os grupos que foram historicamente marginalizados, especialmente os africanos e afro-diaspóricos, continuam o sendo na era digital, por não terem acesso a essas tecnologias ou então por seus usos serem baseadas na experiência do colapso e do reparo. Assim, eles têm de criar diferentes estratégias para serem lidos, vistos e ouvidos, pois como a internet é um espaço marcante de disputas de narrativas torna-se também ambiente potente para a produção e disseminação de contranarrativas. Porém, a unicidade de determinados empreendimentos muitas vezes faz com que estes não atinjam os objetivos que pretendiam, pela falta de visibilidade. E é a partir dessa perspectiva que se mostra crucial o papel das redes digitais, atuando de forma coletiva com o intuito de que aqueles que têm acesso a essas ferramentas possam se beneficiar do aspecto colaborativo dessas redes para implementar através do compartilhamento de experiências ações que busquem construir e implementar projetos de melhoria social, buscando a construção de um mundo mais democrático. Assim, esse Painel Temático tem como proposta estabelecer diálogos sobre os empreendimentos de ativismo em rede na África e na Diáspora que utilizem a internet como promotora de mobilização social.
Palavras-chave: Ativismo; Redes digitais; Democratização; África; Diáspora

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Transnational Activisms, Education, History and African and Afro-Brazilian Culture

Dayse Cabral de Moura (UFPE)
Carmem Dolores Alves (FAFIRE)
José Bento Rosa da Silva (UFPE)

This panel aims to contemplate the experiences that problematize the sociopolitical role of transnational activism, studies and researches on the Education of Ethnic-Racial Relations, History and African and Afro-Brazilian Cultures. We will prioritize the approach on black social movements from an Atlantic perspective and education to ethnic-racial relations, understanding that they present an important role to face racism and encourage the production of knowledge about ethnic-racial plurality to the reeducation of concepts, attitudes, values and posture of citizens, strenghthening positively racial identities, forming individuals to dialogue and interact with different epistemologies, cultures and demovisions. We highlight the Africanities and the importance of the Curricular Guidelines for the Education of Ethnic-Racial Relations in Brazil as legal provisions that guide the teaching of History of Africans and Afro-Brazilians in a pedagogical perspective assumed by the State, in schools and the teachers training, so that they can resignify their pedagogical practices for the development of affirmative actions for the black population and the construction of a decolonial pedagogy.
Key words: Transnational activisms, Education, History and Africanities

Ativismos Transnacionais, Educação, História e Cultura Africana e Afro-brasileira

Dayse Cabral de Moura (UFPE)
Carmem Dolores Alves (FAFIRE)
José Bento Rosa da Silva (UFPE)

Este painel tem por objetivo contemplar as experiências que problematizem o papel social e político dos ativismos transnacionais, os estudos e pesquisas sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais, a História e Cultura Africana e Afro-brasileira. Priorizaremos as abordagens sobre os movimentos sociais negros numa perspectiva Atlântica e a educação para as relações étnico-raciais, compreendendo que apresentam um importante papel para o enfrentamento ao racismo e o incentivo à produção de conhecimentos sobre a pluralidade étnico-racial e à reeducação de conceitos, atitudes, valores e posturas dos cidadãos, fortalecendo positivamente as identidades raciais, formando os indivíduos para dialogar e interagir com diferentes epistemologias, culturas e cosmovisões. Destacamos as africanidades e a importância da Lei 10.639/2003 e das Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-raciais no Brasil, como dispositivos legais que orientam o ensino da História e a Cultura dos Africanos e Afro-brasileiros numa perspectiva pedagógica e política assumida pelo Estado, pelas escolas e nos processos de formação dos docentes para que possam ressignificar suas práticas pedagógicas para o desenvolvimento de ações afirmativas para a população negra e a construção de uma pedagogia decolonial.
Palavras chave: Ativismos Transnacionais, Educação, História e Africanidades

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Expressions of African-based religion: between deconstruction and reframing Eurocentric views

Anderson Antonio de Santana Justino (UFPE)
Ronnei Prado Lima (UFPE)
João Amaro Monteiro da Silva (NEAB/UFPE – GRE/Vale do Capibaribe)

Throughout the history of Brazil, religions of African origin have always been involved in the gears of Brazilian society. Often perceived by negative interpretations of their practices, they engage in a daily struggle within the urban field to assert themselves as respectful and rights-bearing cultural manifestations. Having a social imaginary and representations that are unfavorable to their existence, the different religious traits of African origin fight for their traditions and knowledge to be recognized and occupy a place of equality compared to other religious traditions, such as the Christian one. Despite the view of strangeness and distance that falls on these subjects who profess these beliefs, we can perceive the active actions of different black communities in order to affirm and value their practices.
Xambá’s house is an example of this resistance. Conducted under the leadership of mother Biu, after her death, directed by the yalorixá mother Tila, and subsequently her death, commanded by the babalorixá her nephew father Ivo, son of mother Biu, this community undertook many actions for the strengthening and expansion of black culture both at the state and national levels.
We highlight the creation of the Severina Paraíso da Silva memorial, which consists of a historical and documentary collection of the house. In this space, visitors can have access to photographic and bibliographic materials that portray some aspects of the Xambá Nation’s operating mode. It has records of religious celebrations, peculiarities of family life, minutes of the members’ presence, organizations of the festivities, knowledge about the orixás, among many other types of knowledge. A space that promotes the recognition and recognition of the culture of the black people.
Crossed by a racial line that selects, restricts and promotes social inequalities, religions of African origin go against this process of valuing Eurocentric ideals as they promote other possibilities for structuring Brazilian society. This time, we understand that they are aligned with the activist movement in the diaspora because they undertake actions to value the African continent with its singularities and peculiarities. We propose a debate about religious movements of African origin in Pernambuco within this activist analysis.
Keywords: Religion of African origin; Valuation; Activism

Expressões da religião de matriz africana: entre a desconstrução e ressignificação de visões eurocêntricas

Anderson Antonio de Santana Justino (UFPE)
Ronnei Prado Lima (UFPE)
João Amaro Monteiro da Silva (NEAB/UFPE – GRE/Vale do Capibaribe)

Ao longo da história do Brasil, as religiões de raiz africana sempre estiveram envolvidas nas engrenagens da sociedade brasileira. Percebidas muitas vezes por interpretações negativas de suas práticas, estas travam uma luta diária dentro do campo urbano para se afirmarem enquanto manifestações culturais detentoras de respeito e portadoras de direitos. Tendo sobre si um imaginário social e representações desfavoráveis a sua existência, os diferentes traços religiosos de origem afro lutam para que suas tradições e saberes sejam reconhecidos e ocupem um lugar de igualdade frente as outras tradições religiosas, como a cristã. Apesar da visão de estranhamento e de distanciamento que recair sobre esses sujeitos que professam essas crenças, podemos perceber as ações ativas de diferentes comunidades negras no intuito de afirmação e valorização de suas práticas.
A casa do Xambá é um exemplo dessa resistência. Conduzida sob a liderança de mãe Biu, após seu falecimento, dirigida pela yalorixá mãe Tila, e posteriormente a sua morte, comandada pelo babalorixá seu sobrinho pai Ivo, filho de mãe Biu, essa comunidade empreendeu muitas ações para o fortalecimento e expansão da cultura negra tanto em nível estadual como nacional.
Destacamos a criação do memorial Severina Paraíso da Silva que consiste em um acervo histórico e documental da casa. Nesse espaço os visitantes podem ter acesso a materiais fotográficos e bibliográficos que retratam alguns aspectos do modo operante da Nação Xambá. Tem registros das celebrações religiosas, peculiaridades da vida familiar, atas de presença dos membros, organizações das festividades, conhecimento a respeito dos orixás, dentre tantos outros saberes. Um espaço que promove o enaltecimento e reconhecimento da cultura do povo negro.
Atravessados por uma linha racial que seleciona, restringe e promove desigualdades sociais, as religiões de matriz africana caminham na contramão desse processo de valorização de ideais eurocêntricos na medida em que promovem outras possibilidades de estruturação da sociedade brasileira. Desta feita, entendemos que elas se alinham ao movimento ativista na diáspora pois empreendem ações no sentido de valorizar o continente africano com suas singularidades e peculiaridades. Propomos um debate a respeito dos movimentos religiosos de origem africana em Pernambuco dentro dessa análise ativista.
Palavras-chaves: Religião de matriz africana; Valorização; Ativismo

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The colonial past as a problem not closed in contemporary times. “Artivism” as a contribution to mental decolonization and as an intercultural possibility

Vítor de Sousa (CECS/Universidade do Minho)

Museums with ethnographic collections are full of fragments of the world. The collections had an evolutionary profile, showing the stages of evolution of cultures and peoples, with the European culture placed on a higher level, since it starts from a western point of view of civilization, through the development of a unique white and male narrative.
In the last 30 years, however, some of the most important museums in the world have changed their name, ceasing to be addressed as specialties of anthropology, ethnology and ethnography, but rather as museums of the cultures of the world, or museums of civilizations. Evolutionary theory fell apart, but post-colonial criticism still struggles today for a vision that distances itself from European ethnocentrism, namely, by stressing that the challenges with museums and their representations still remain. What is being questioned is the concept of the museum as it was built by the eyes of the West, and how its collection was accumulated.
This is where the concept of “artivism”, used in the field of social sciences and the arts, comes into play but which is still understood as a neologism, as it is not consensual. It is through this concept that an artistic rupture, resulting from social claim, is evident and that calls for unaccountable links between art and politics, encouraging artistic impact as an act of resistance and subversion.
In a context of great complexity in the world, which is directly proportional to its inequality, the question that arises today is how will museums represent the “other”? And the scenario is also complex, which makes intercultural dialogue suffer even more constraints. This does not prevent the decolonization of museums that has to take place, necessarily, by giving a voice to the “other”, whoever he may be, and which will emphasize the role of curatorial artivism, taking into account the learning that the entire process of decolonization, which has to happen by itself. However, this process integrates a complex dimension that arises from a necessary mental decolonization, which goes far beyond the administrative decolonization carried out, which ledo to the self-determination of the ex-colonized countries. This goes in the opposite direction to a colonialist vision, based on a single and global time, keeping in mind the possibility of constructing and reformulating identities. Moreover, the questions of identity and otherness, always present in relation to museums of ethnography, seem to be moving into a more affirmative space of common belonging, in which the cleavage between “us” and the “other” is less evident. It is a movement that takes place in a context of globalization, in which museums will always be on the axis of this difficulty and this restlessness, and in which it is not possible not to show what is visible, even though it is difficult to deal with this new problem.
Keywords: “Artivism”; Museums; Colonialism; Mental decolonization; Interculturality

O passado colonial como problema não encerrado na contemporaneidade. O “artivismo” enquanto contributo para a descolonização mental e como possibilidade intercultural

Vítor de Sousa (CECS /Universidade do Minho)

Os museus com coleções etnográficas estão cheios de fragmentos do mundo. As coleções tinham um recorte evolucionista, evidenciando os estágios de evolução das culturas e dos povos, sendo que, a cultura europeia era colocada num patamar superior, uma vez que se partida de um ponto de vista ocidental de civilização, através do desenvolvimento de uma narrativa única e branca, para alem de masculina.
Nos últimos 30 anos, porém, alguns dos museus mais importantes do mundo foram alterando a sua designação, deixando de ser conhecidos pelas especialidades de antropologia, etnologia e etnografia, para passarem a designar-se por museus das culturas do mundo, ou museus da ou das civilizações. A teoria evolucionista foi caindo por terra, mas a crítica pós-colonial ainda hoje luta por uma visão que se distancie do etnocentrismo europeu, nomeadamente, sublinhando que os desafios com os museus e a suas representações ainda permanecem. É a própria ideia de museu tal como foi construído pelo olhar do Ocidente, e no modo como foi acumulado o seu acervo, que é posta em causa.
É aqui que entra em cena o conceito de “artivismo”, utilizado no campo das ciências sociais e das artes, mas que ainda é entendido como um neologismo, por não ser consensual. É, através dele que se evidencia uma rotura artística decorrente da reivindicação social e que apela a ligações pouco pacíficas entre arte e política, incentivando o impacto artístico enquanto ato de resistência e de subversão.
Num quadro de grande complexidade do mundo, que é diretamente proporcional à sua desigualdade, a questão que se coloca, na atualidade, é de que forma é que os museus vão representar o “outro”? E o cenário é, também ele complexo, o que faz com que o diálogo intercultural sofra ainda mais constrangimentos. O que não obsta a que a descolonização dos museus tenha que passar, necessariamente, por dar voz ao “outro”, seja ele quem for, e que enfatizará o papel do artivismo curatorial, levando em consideração a aprendizagem de que todo processo de descolonização não acontece por si só, mas que integra uma dimensão complexa que decorre de uma necessária descolonização mental, que vá muito para além da efetuada descolonização administrativa, que fez com que os países ex-colonizados fossem autodeterminados. O que vai no sentido contrário a uma visão colonialista, assente num tempo único e global, tendo em mente a possibilidade de construção e reformulação das identidades. De resto, as questões da identidade e da alteridade, estando sempre presentes no que respeita aos museus de etnografia, parece estar a deslocar-se para um espaço mais afirmativo de pertença comum, em que a clivagem entre o “nós” e o “outro” é menos evidente. Trata-se de um movimento que acontece num quadro de globalização, em que os museus estarão sempre no eixo desta dificuldade e desta inquietação, e em que não é possível não mostrar o que é visível, muito embora seja difícil lidar com essa nova problemática.
Palavras-chave: “Artivismo”; Museus; Colonialismo; Descolonização mental; Interculturalidade

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Lusophony, Periphery and Resistance: Contemporary voice and writing of African and Afrodescendant women

Susan de Oliveira (UFSC)
Margarida Rendeiro (CHAM, FCSH-NOVA Lisboa)
Federica Lupati (CHAM, FCSH-NOVA Lisboa)

Nowadays, in the Lusophone space, African and/or Afrodescendant women use and promote writing more and more as resistance against various expressions of inequality and injustice. As social activists, many of them intervene in the promotion, editing and publishing works, individual and/or organized into anthologies, out of the circuits of the major publishers. In view of this, this panel includes women’s participation in festivals, meetings, fairs and slams. This panel aims to discuss the role and the work of the Portuguese-speaking African and Afrodescendant women who combine writing and social activism. Therefore, we welcome submissions that discuss relations between activism, artivism, collectives and social movements in the peripheries and the literary work of African and Afrodescendant women in the Lusophone space, thus, fostering a comparative and intersectional approach.
Keywords: Women; Peripheries, Literature; Activism; Social Movements

Lusofonia, Periferia e Resistência: a voz e escrita contemporânea de mulheres africanas e afrodescendentes

Susan de Oliveira (UFSC)
Margarida Rendeiro (CHAM, FCSH-NOVA Lisboa)
Federica Lupati (CHAM, FCSH-NOVA Lisboa)

No espaço lusófono, as mulheres africanas e/ou afrodescendentes hoje, cada vez mais, adotam e promovem a escrita como resistência contra as diferentes expressões de desigualdade e de injustiça. Como ativistas sociais, muitas atuam na divulgação, editoração e publicação de obras, individuais ou organizadas em coletâneas, fora do circuito das grandes editoras. Nesta perspetiva, incluímos igualmente a participação de mulheres nos saraus, festivais, feiras e slams. Este painel, portanto, pretende discutir o papel e o trabalho de mulheres africanas de expressão portuguesa e afrodescendentes que combinam ativismo social e escrita. Visa acolher propostas que versem sobre a relação entre ativismo, artivismo, coletivos e movimentos sociais nas periferias e as produções literárias de mulheres africanas e/ou afrodescendentes no espaço lusófono, privilegiando uma abordagem de leitura comparatista e interseccional.
Palavras-Chave: Mulheres; Periferias; Literatura; Ativismo; Movimentos sociais.

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African and afrodiasporic artistic-cultural productions in anticolonial, decolonial and descolonial perspectives

Alex Santana França (UEFS)
Mariana Andrade Gomes (IEAf-UFPE)
Vércio Conceição Gonçalves (UFBA)

The artistic-cultural productions made in Africa throughout its history have been characterized as not only aesthetic, but, above all, political experiences. Different scholars have already demonstrated how literature, cinema and music, for example, were important instruments of resistance in the face of different strategies of European colonization on the African continent. The idea of decolonization is mainly related to the process of conquering the independence of African territories, throughout the 20th century, from the colonial subjection of European nations, such as France, England, Spain and Portugal, but it also has an important role in the maintenance and or restoration of the democratic regime in these spaces. However, thinking about freedom as an economic and social development and as a cultural, psychological and epistemological liberation from Eurocentric references are still great challenges for the different countries of the African continent, since, in most cases, it is the countries of the North that define the parameters and conditions for legitimizing these developments (NGOENHA, 2014, p. 160). One of the central concerns of decoloniality is, precisely, to establish a strong criticism of Eurocentrism and scientism, and to assume the need of “body-geopolitical” affirmation for the production of art, culture and knowledge as a tactic to disarm the strategies of epistemic disqualification and ontological denial implemented by coloniality (BERNADINO-COSTA et al, 2019, p. 13). It is worth mentioning that there is great confusion between the terms decolonization and decoloniality, mainly because the first is often used in the sense of the second (MALDONADO-TORRES, 2019, p. 36). In order to emphasize this distinction, Nelson Maldonado-Torres states, in a very succinct way, that decolonization, a recurring term in the field of Cultural Studies, in general, and in Postcolonial Theory, more specifically, refers to historical moments in which colonial subjects rose up against exempires and demanded independence, whereas decoloniality refers to the struggle against the logic of coloniality and its material, epistemic and symbolic effects. Thus, this thematic panel focuses on promoting reflections on how artistic-cultural languages, such as literature, cinema, music and visual arts (in their distinct technological, discursive, thematic and aesthetic stylistic devices) have expressed different views on political, ideological and aesthetic issues in various economic, political and cultural contexts on the African continent and in the diaspora.
Keywords: Africa; Afrodiaspora; Decoloniality; Anti-coloniality.

Produções artístico-culturais africanas e afrodiaspóricas em perspectivas anticoloniais, descoloniais e decoloniais

Alex Santana França (UEFS)
Mariana Andrade Gomes (IEAf-UFPE)
Vércio Conceição Gonçalves (UFBA)

As produções artístico-culturais elaboradas na África ao longo de sua história têm se caracterizado como experiências não apenas estéticas, mas, sobretudo, políticas. Diferentes estudiosos(as) já comprovaram como a literatura, o cinema e a música, por exemplo, foram importantes instrumentos de resistência diante das diferentes estratégias de colonização europeia no continente africano. A ideia de descolonização está relacionada principalmente ao processo de conquista da independência de territórios da África, ao longo do século XX, do jugo colonial de nações europeias, como França, Inglaterra, Espanha e Portugal, mas também tem relevante papel na manutenção e ou restabelecimento do regime democrático nestes espaços. Entretanto, pensar em liberdade como desenvolvimento econômico e social e como libertação cultural, psíquica e epistemológica dos referenciais eurocêntricos ainda são grandes desafios para os diversos países do continente africano, já que, na maior parte dos casos, são os países do Norte que definem os parâmetros e as condições para a legitimação desses desenvolvimentos (NGOENHA, 2014, p. 160). Uma das preocupações centrais da decolonialidade é, justamente, estabelecer uma forte crítica ao eurocentrismo e ao cientificismo, e assumir a necessidade de afirmação “corpo-geopolítica” para a produção da arte, da cultura e do conhecimento como tática para desarmar as estratégias de desqualificação epistêmica e de negação ontológica implantadas pela colonialidade (BERNADINO-COSTA et al, 2019, p. 13). Vale ressaltar que há uma grande confusão entre os termos descolonização e decolonialidade, principalmente porque o primeiro muitas vezes é usado no sentido do segundo (MALDONADO-TORRES, 2019, p. 36). No intuito de enfatizar essa distinção, Nelson Maldonado-Torres afirma, de forma bem sucinta, que a descolonização, termo recorrente no âmbito dos Estudos Culturais, em geral, e na Teoria Pós-colonial, mais especificamente, refere-se a momentos históricos em que sujeitos(as) coloniais se insurgiram contra os ex-impérios e reivindicaram a independência, já a decolonialidade refere-se à luta contra a lógica da colonialidade e seus efeitos materiais, epistêmicos e simbólicos. Assim, este painel temático tem como foco promover reflexões sobre como linguagens artístico-culturais, a exemplo da literatura, do cinema, da música e das artes visuais (em seus distintos aparatos tecnológicos, discursivos, estilísticos temáticos e estéticos) têm expressado diferentes olhares sobre questões políticas, ideológicas e estéticas em variados contextos econômicos, políticos e culturais do continente africano e na diáspora.
Palavras-chave: África; Afrodiáspora; Decolonialidade; Anticolonialidade

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Memory policies and discursive strategies in cinema

Isabel Macedo (CECS, Universidade do Minho)
Ana Cristina Pereira (CECS, Universidade do Minho)
Rosa Cabecinhas (CECS, Universidade do Minho)

We live in a moment of unprecedented presence of history and memory in the cultural sphere. In this context, visual artifacts, such as films, play a fundamental role in transforming the way historical events can be assessed; giving them renewed visibility, raising public awareness. The presence of these visual products – the variety of genres, styles and interpretations of the past – can contribute to a richer understanding of history and collective memory and to the development of more reflective and self-conscious historical individuals.
Cultural memory comprises a body of images and texts, specific to each society and each era, which serves to stabilize and transmit its self-image (Assmann & Czaplick, 1995). Through cultural heritage, societies become visible to themselves and to others. Cultural memory is based on communication through the media (Erll, 2008). Media technologies, such as film, expand the temporal and spatial influence of memory. Cinema has its specific way of remembering, generating and building images that have the power to shape the collective imagination of the past.
The critical discussion of films as media representations provides schemes that allow us to (re)create images of the past, which can even shape our own personal experience and memories.
In recent years, in Portugal, Brazil and also in African countries such as Angola, Mozambique and Guinea Bissau, increased filmic forms that aim to give visibility to the memory of the colonial past, as well as to the silenced stories of traditionally subordinated people.
This panel aims at a comprehensive reflection on the relationship between Film and activism. Proposals are accepted, reflecting on specific works, authors or movements:
– analysis of social representations (gender, race, class, among others) and history in cinema;
– production and reception studies that analyze the potential of cinema in the (de)construction of representations and in social transformation;
– role of films in the development of critical citizenship;
– contributions of films in the construction of critical views on the world around us, in the promotion of critical citizenship, essential for the development of an active and interventionist attitude in today’s society.
– circulation of Power in the sphere of cinema – relations between the global North and the global South;
– non-hegemonic or alternative Film forms, means of production, circulation and visualization;
– other proposals not mentioned, but that fall within this scope.
Keywords: cultural memory, film, representations; critical citizenship

Políticas da memória e estratégias discursivas no cinema

Isabel Macedo (CECS, Universidade do Minho)
Ana Cristina Pereira (CECS, Universidade do Minho)
Rosa Cabecinhas (CECS, Universidade do Minho)

Vivemos um momento de presença sem precedentes da história e da memória na esfera cultural. Nesse contexto, artefatos visuais, como filmes, desempenham um papel fundamental na transformação do modo como os eventos históricos podem ser avaliados; dando-lhes uma visibilidade renovada, conscientizando o público. A presença desses produtos visuais – a variedade de géneros, estilos e interpretações do passado – pode contribuir para uma compreensão mais rica da história e da memória coletiva e para o desenvolvimento de indivíduos históricos mais reflexivos e autoconscientes.
A memória cultural compreende um corpo de imagens e textos, específico para cada sociedade e cada época, que serve para estabilizar e transmitir a sua auto-imagem (Assmann & Czaplick, 1995). Por meio do património cultural, as sociedades tornam-se visíveis para si e para os outros. A memória cultural é baseada na comunicação através dos média (Erll, 2008). As tecnologias mediáticas, como o filme, ampliam o alcance temporal e espacial da lembrança. O cinema tem a sua maneira específica de lembrar, gerar e construir imagens que têm o poder de moldar a imaginação coletiva do passado.
A discussão crítica dos filmes como representações mediáticas fornece esquemas que nos permitem (re)criar imagens do passado, que podem até moldar a nossa própria experiência e memórias pessoais.
Nos últimos anos, em Portugal, no Brasil e também em países Africanos como Angola, Moçambique e Guiné Bissau, têm proliferado formas fílmicas que pretendem dar visibilidade à memória do passado colonial, e também às histórias silenciadas de pessoas tradicionalmente subalternizadas.
Este painel visa uma reflexão compreensiva sobre a relação entre Filme e ativismo. Aceitam-se propostas, que refletindo sobre obras específicas, sobre autores ou movimentos:
– analisem as representações sociais (género, raça, classe, entre outas) e da história no cinema;
– constituam estudos de produção e de receção que analisem o potencial do cinema na (des)construção de representações e na transformação social;
– tenham como objetivo examinar o papel dos filmes no desenvolvimento de uma cidadania crítica;
– explorem os contributos de filmes na construção de visões críticas sobre o mundo que nos rodeia, na promoção de uma cidadania crítica, essencial para o desenvolvimento de uma postura ativa e interventiva na sociedade atual;
– reflitam sobre a circulação de Poder na esfera do cinema – relações entre Norte global e Sul global;
– examinem a forma fílmica, meios de produção, circulação e visualização não hegemónicos ou alternativos;
– Outras propostas não mencionadas, mas que se incluam neste âmbito.
Palavras-chave: memória cultural, filme, representações; cidadania crítica

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African and Aphrodiasporic Cinemas: activism in contemporary contexts

Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC-Universidade do Algarve)
Morgana Gama de Lima (UFBA)
Ana Camila de Souza Esteves (UFBA)

African cinemas were born in a context of political and aesthetic activism. Researchers in the field consider that we can only speak of African cinemas through the decolonization movements, which began in the 1960s, a historical moment in which Africans took over, not only the technique and language of film, but mainly the discourses about themselves and on the continent. Fundamental personas such as Ousmane Sembène (Senegal), Med Hondo (Mauritania), Paulin Soumanou Vieyra (Senegal), Sarah Maldoror (Angola), Safi Faye (Senegal) and Djibril Diop Mambéty (Senegal) represent part of a collective film production that embrace at least the first 30 years of film’s history in Africa, using this language as the most assertive and efficient way to communicate with Africans within a post-(neo) colonial context.
What is possible to understand today as “African cinemas” considers the different contexts of their transnational and transcontinental situation. Thus, activisms were expressed through revolutionary narratives in favor of social changes in newly independent nations. Among the filmmakers, there are those born in Africa, who leave the continent to study film and return to film the daily lives of their countries, but there are also those who, having been born in Europe, have Africans parents and explore their conditions as subjects in diaspora through cinema. John Akomfrah, Haile Gerima and Mati Diop are some of the relevant names in this context, but nowadays it is practically impossible to precisely list the number of afrodiasporic filmmakers who develop their work around the conflicts of their daily lives.
Within this context, Afrodiasporic countries such as Brazil, the United States and Cuba, for example, over the same period began to build works around issues pertinent to their conditions as Afro-descendants. Struggles over racial and identity issues resonate with the practices of Africa’s first generation of filmmaking, which ultimately opposed to the same figure: the European colonizer. What we see today, therefore, is a proliferation of names from the most diverse African and afrodisporic countries that have been standing out for their transnational trajectories that go beyond political and cultural borders.
Considering this conjuncture, the present GT welcomes proposals aimed at addressing the multiple issues that surround contemporary African and African afrodiasporic cinemas, especially involving the discussion about: current demands that encompass these cinematography; thematic and / or stylistic convergences between African and Diaspora filmmakers; national, transnational, cross-cultural, local and global issues; claims on various subjects, plots, policies and aesthetics common and present in the debate of contemporary ideas around films made by filmmakers from Africa and their diasporas.
In the group, works that establish interdisciplinary bridges from the universe of African and Afrodiasporic cinemas will be welcome, and that stimulate critical thinking about the different forms of activism forged through these narratives. We hope that the works offer a critical overview of the expressive production of these cinematography, and we also yearn to open a space of thought on the perspectives of possible dialogues between the field of cinema and other fields of knowledge with approaches focused on the cinematography embraced here.
Kyewords: African cinemas, afrodiasporic cinemas, activism; postcolonial

Cinemas Africanos e Afrodiaspóricos: ativismos em contextos contemporâneos

Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC-Universidade do Algarve)
Morgana Gama de Lima (UFBA)
Ana Camila de Souza Esteves (UFBA)

Os cinemas africanos já nasceram em um contexto de ativismo político e estético. Pesquisadores do campo consideram que só podemos falar de cinemas da África olhando para os movimentos de descolonização, desencadeados a partir dos anos 1960, momento histórico no qual os africanos se apropriaram não só da técnica e da linguagem do cinema, mas principalmente dos discursos sobre si e sobre o continente. Figuras fundamentais como Ousmane Sembène (Senegal), Med Hondo (Mauritânia), Paulin Soumanou Vieyra (Senegal), Sarah Maldoror (Angola), Safi Faye (Senegal) e Djibril Diop Mambéty (Senegal) representam parte de uma produção coletiva cinematográfica que atravessou pelo menos os 30 primeiros anos de história do cinema na África, usando esta linguagem como a forma mais assertiva e eficiente de dialogar com os africanos em um contexto pós-(neo)colonial.
O que é possível entender hoje como “cinemas africanos” atravessa os diferentes contextos da sua situação transnacional e transcontinental. Assim, os ativismos se expressavam por meio de narrativas revolucionárias em favor de mudanças sociais nas nações recém-independentes.
Entre os realizadores, há os nascidos em África, que deixam o continente para estudar cinema e voltam para filmar o cotidiano dos seus países, mas também há os que, havendo nascido na Europa, são filhos de africanos e desbravam as suas condições de sujeitos em diáspora através do cinema. John Akomfrah, Haile Gerima e Mati Diop são alguns dos nomes relevantes nesse contexto, mas hoje em dia é praticamente impossível listar com precisão a quantidade de realizadores afrodiaspóricos que desenvolvem seus trabalhos em torno dos conflitos de suas vidas cotidianas. Dentro desse contexto, países afrodiaspóricos como o Brasil, Estados Unidos e Cuba, por exemplo, ao longo do mesmo período passaram a construir obras em torno de questões pertinentes às suas condições de afrodescendentes. Disputas em torno de questões raciais e identitárias ressoam às práticas da primeira geração de cinemas da África, que em última instância se opunham a uma mesma figura: o colonizador europeu. O que se vê hoje, portanto, é uma proliferação de nomes dos mais diferentes países africanos e afrodiaspóricos que vêm se destacando por suas trajetórias transnacionais que ultrapassam fronteiras políticas e culturais.
Considerando essa conjuntura, o presente GT acolhe propostas voltadas para a abordagem das múltiplas questões que circundam os cinemas africanos e afrodiaspóricos contemporâneos, especialmente envolvendo a discussão sobre: demandas atuais que abarcam essas cinematografias; convergências temáticas e/ou estilísticas entre cineastas africanos e da diáspora; questões de ordem nacional, transnacional, transcultural, local e global; pleitos sobre variados temas, enredos, políticas e estéticas comuns e presentes no debate de ideias contemporâneas em torno de filmes realizados por cineastas oriundos de África e suas diásporas.
Serão bem-vindos no GT trabalhos que estabeleçam pontes interdisciplinares a partir do universo dos cinemas africanos e afrodiaspóricos, e que estimulem o pensamento crítico sobre as diferentes formas de ativismos forjadas por meio dessas narrativas. Esperamos que os trabalhos ofereçam um panorama crítico sobre a produção expressiva destas cinematografias, e ansiamos ainda por abrir um espaço de pensamento sobre as perspectivas de diálogos possíveis entre o campo do cinema e outros campos do conhecimento com abordagens focadas nas cinematografias aqui acolhidas.
Palavras-chave: cinemas africanos, cinemas afrodiaspóricos, ativismos; pós-colonial

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Artists and culture in movements: experiences, trajectories and biographies

Carlos Benedito Rodrigues da Silva (Universidade Federal do Maranhão)
Luiza Nascimento dos Reis (Universidade Federal de Pernambuco)
Renato de Lyra Lemos (Universidade Federal de Pernambuco)

This thematic panel brings together academic researchs, in multidisciplinary perspective, that focuses on the experiences of artists, intellectuals and activists involved in creative processes, artistic movements and cultural manifestations in african countries and the black diaspora throughout the 20th and 21st centuries.
Joel Zito Araújo, brazilian director, screenwriter and doctor in Comunication has highlighted how far we are yet to grasp the experience of black man and black women in the 20th century. This reflection is associated with the experiences of black artists who developed their creative processes in between intense political processes in which we highlighted the struggles undertaken by political independence and decolonization in several African countries, the denouncement of oppression and racial inequalities and the search for the affirmation of the rights of the black population in countries like Brazil or the United States. Many of these artistic trajectories and cultural manifestations considered to be engaged art require greater appreciation and analysis since they have still emerged under recurrent stereotypes attributed to the black population. The turn to 21st century has revealed that, beyond a classic engagement, artists, their artistic productions and cultural manifestations have great potential for reflection, inquiring and mobilization even if their emergence is associated with entertainment. This thematic panel seeks to assemble researchs  that revisits and rethinks artists trajectories,  artistic productions, artistic movements and cultural manifestations of the past and future, discussing their potential for the search, maintenance and consolidation of the black people rights in african and diaspora countries.
Keywords: Africa; Artists; Culture; Diaspora; Trajectories

Artistas e cultura em movimentos: experiências, trajetórias e biografias

Carlos Benedito Rodrigues da Silva (Universidade Federal do Maranhão)
Luiza Nascimento dos Reis (Universidade Federal de Pernambuco)
Renato de Lyra Lemos (Universidade Federal de Pernambuco)

Este painel temático reúne pesquisas acadêmicas, em perspectiva multidisciplinar, que foquem experiências de artistas, intelectuais e ativistas envolvidos em processos criativos, movimentos artísticos e manifestações culturais em países africanos e da diáspora negra ao longo dos séculos XX e XXI.
Joel Zito Araújo, diretor, roteirista e doutor em Comunicação brasileiro, tem destacado quão distantes ainda estamos de apreender a experiência do homem negro e da mulher negra no século XX. Essa reflexão está associada às experiências de artistas negros que desenvolveram seus processos criativos em meio a intensos processos políticos em que destacamos as lutas empreendidas pela independência política e descolonização em diversos países africanos, a denúncia da opressão e desigualdades raciais e a busca pela afirmação de direitos da população negra em países como Brasil ou Estados Unidos. Muitas dessas trajetórias artísticas e manifestações culturais consideradas arte engajada requerem maior apreciação e análise uma vez que ainda têm emergido sob estereótipos recorrentes imputados à população negra. A virada para o século XXI tem revelado que, para além de um engajamento clássico, artistas, suas produções artísticas e movimentos culturais tem grande potencial para a reflexão, questionamento e mobilização mesmo que sua emergência esteja associada ao lazer.
Este painel temático busca reunir pesquisas que revisitem e recoloquem trajetórias de artistas, produções artísticas e movimentos artísticos e manifestações culturais de ontem e de hoje, discutindo seu potencial para a busca, manutenção e consolidação de direitos da população negra em países africanos e da diáspora.
Palavras-chave: África; Artistas; Cultura; Diáspora; Trajetórias

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Aesthetic experiences and heritage among Afro-Atlantic activisms

Joana D’Arc de Sousa Lima (UNILAB)
José Eduardo Ferreira Santos (Acervo da Laje e Universidade Católica do Salvador)
Lia Dias Laranjeira (UNILAB)

The relation between art and politics isn’t a novelty on the art history field, being this relation official-ized by a Eurocentric narrative, or being those that tension it and create new interpretations, reveal-ing the disputes on the writing of history. Such relation has occurred in an increasingly intense way since the second half of 20th century and the first decades of the 21st, and has been called in the artistic field as artistic-activist manifestations, activist art or even acquiring the term artivism. Through actions, “happenings”, public art, participatory art, performance, video, video art, photog-raphy, among others; artists, curators and institutions have been tensioning social, cultural, historical and political issues, betting on offering other possible arrangements between people, objects, situa-tions and history narratives. These works present themselves as denunciation processes, re-sistances, and proposals for a political-social transformation on our time. On the one hand, art pro-duced in the peripheries of urban centers and in other spaces rise as narratives of political and transformative power, considering the creation, aesthetic appreciation and identities as means for a critical awakening. On the other hand, the holding of exhibitions in the African diaspora engaged in criticism of colonialism and structural racism has denounced the silence about culture, history, and artistic production of African matrix in the Americas. In this same perspective, there are a series of studies about the processes of repatriation, displacement, and exhibition of objects from African and African American material culture, which denounce centuries of appropriation and imprison-ment of an important collection related to the cultural heritage of African matrix. Therefore, this panel intends to bring together works produced by researchers, activists, artists, curators and art educators on creative processes in the fields of visual arts and performance; repatriation and dis-placements of objects from the material culture of Africa and diaspora; and also exhibitions and cu-ratorial proposals that connect art, politics, and memory. The panel intends to create a space for exchanges and debates about these studies and artistic creations, and their resonances in contem-porary political and cultural history of the African continent and the diaspora, as well as reuniting works that reflect on the choices, resources, networks, negotiations and clashes involved in these productions and their physical, symbolic, aesthetic and political displacements.
Keywords: Africa; Diaspora; activism; visual arts; heritage.

Experiências estéticas e patrimônio entre ativismos afro-atlânticos

Joana D’Arc de Sousa Lima (UNILAB)
José Eduardo Ferreira Santos (Acervo da Laje e Universidade Católica do Salvador)
Lia Dias Laranjeira (UNILAB)

A relação entre arte e política não é novidade na história da arte, seja essa a versão oficializada pela narrativa eurocêntrica, seja as que tensionam essa e imprimem outras interpretações, reve-lando as disputas presentes na escrita da história. Tal relação tem ocorrido de forma cada vez mais intensa a partir da segunda metade do século XX e nas duas décadas do XXI, e, vem sendo de-nominada no campo artístico como manifestações artístico-ativistas, arte ativista ou ainda adquirin-do o termo artivismo. Por meio de ações, happenings, arte pública, arte participativa, performance, vídeo, videoarte, fotografia, entre outros, artistas, curadores e instituições vem tensionando ques-tões sociais, culturais, históricas e políticas e apostando em oferecer outros arranjos possíveis entre pessoas, coisas, situações e narrativas da história. Esses trabalhos apresentam-se como proces-sos de denúncia, resistências e propostas para uma transformação político social para o tempo presente. Por um lado, as artes produzidas nas periferias dos centros urbanos e em outros espaços se elevam como narrativas de potência política e transformadora, considerando a criação, a apre-ciação estética e as identidades como meios para um despertar crítico. Por outro lado, a realização de exposições na diáspora africana engajadas na crítica ao colonialismo e ao racismo estrutural tem denunciado os silêncios em torno da cultura, da história e da produção artística de matriz afri-cana nas Américas. Nessa mesma perspectiva, há uma série de estudos sobre processos de repa-triação, deslocamentos e exibição de objetos da cultura material africana e afro-americana que denunciam séculos de apropriação e aprisionamento de um importante acervo ligado ao patrimônio cultural de matriz africana. Assim, o painel pretende reunir trabalhos produzidos por pesquisado-res, ativistas, artistas, curadores e arte-educadores sobre processos de criação nos campos das artes visuais e da performance; repatriação e deslocamentos de objetos da cultura material de África e diáspora; além de exibições e propostas curatoriais que façam a conexão entre arte, políti-ca e memória. O painel almeja criar um espaço de trocas e debates sobre esses estudos e cria-ções artísticas e suas ressonâncias na história política e cultural contemporânea do continente afri-cano e da diáspora, incluindo discussões sobre as escolhas, os recursos, as redes, as negociações e os embates envolvidos nessas produções e em seus deslocamentos físicos, simbólicos, estéticos e políticos.
Palavras chave: África; Diáspora; ativismo; artes visuais; patrimônio.

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Sounds of Africa – activism, capillarity and resilience of African and Afro-diasporic musical arts

Bas’ Ilele Malo-malo (UNILAB)
Katharina Döring (UNEB)
Marcos dos Santos Santos (UFBA)

African (diaspora) musical arts (NZEWI, NKETIA) include the notion of performance, movement and message of philosophical, political, historical and spiritual content, as an expression of the ethos of their civilizations and their values: a permanent perspective of social activism that considers the expression of the individual in the collective. Musical productions and sounds (traditional, popular and contemporary), from different African countries and peoples – in addition to their complex foundations of musical systems of oral tradition – reveal an impressive phonographic production throughout the 20th century, and remain almost unknown in the African diaspora, despite their ancestral connection and their struggle for African and African-American identities. Not only from the perspective of the importance of African musical arts for the music of the African diaspora and World Music, but, in the confrontation of epistemologies, we can observe that African musical systems and behaviors develop and are based on a musical ontology practically opposite to Cartesian logic of Western musical thoughts and structures. It is not just about musical structures, but a whole understanding of putting them into experienced practices, which do not fit into rationalized rules of purity, tuning (tonal system), compass, and the idea of sublime and distant art, etc. Much more than rhythmic complexity, African musical arts carry with them an aesthetic, philosophical, sociocultural and spiritual foundation that can only be understood in the complexity of human in society, as a horizontal, inclusive, participatory, circular concept that drives sociocultural relations and politics in African societies, at a deeper level than the concept of ‘art as fruition’. African music and its capillarity across the African diaspora can only be understood as attitude and resilience of human creativity, including its kinetic and poetic expressions, which challenge orders, hierarchies, political systems and provoke collective communion: the affirmation of the human being in the community and in the world, as p. ex. in Ubuntu philosophy and Bantu worldview (FU KIAU). In this panel we intend to deepen and discuss knowledge of these musical arts, even if through a geographical and temporal cut, in socio-cultural contexts, musical genres and historical phases. We reflected on some examples of African musical arts, through geo-cultural and temporal cutout, to understand the philosophical foundations from the musical practices of the oral tradition to the great creations of popular musical genres throughout the 20th century, nurtured by the ongoing dialogue with the African diaspora that contributed to major socio-cultural and political changes in African societies, defying colonial legacies, racism and socioeconomic inequalities. We also discuss the role of contemporary musical productions and new technologies, causing ruptures with ‘traditionalist’ views on African cultures, showing postmodern developments towards identity crises and activism in a globalized world with agendas of social, feminist and ecological movements, among others.
Keywords: African musical arts; African Diaspora; activism and resilience; African philosophies

Sons da África – ativismos, capilaridades e resiliências das artes musicais africanas e afro-diaspóricas

Bas’ Ilele Malo-malo (UNILAB)
Katharina Döring (UNEB)
Marcos dos Santos Santos (UFBA)

As artes musicais africanas (NZEWI, NKETIA), assim como na diáspora africana, incluem a noção de performance, movimento e mensagem de teor filosófico, politico, histórico e espiritual entre outros, como expressão do etos das suas civilizações e seus valores: uma perspectiva permanente de ativismo social que percebe a expressão do individuo no coletivo.   As produções musicais e sonoridades, ditos tradicionais, populares e contemporâneos de diferentes países e povos africanos – além dos seus fundamentos complexos dos sistemas musicais da tradição oral – apresentam ao longo do século XX, uma impressionante produção fonográfica, e continuam quase desconhecidas na diáspora africana, apesar da sua conexão ancestral e sua luta pelas identidades negro-africanas e -americanas. Não somente na perspectiva da importância das artes musicais africanas para a música da diáspora africana e World Music, e sim, na confrontação das epistemologias, podemos observar que os sistemas e comportamentos musicais africanos desenvolvem e se baseiam numa ontologia musical praticamente oposta a lógica cartesiana dos pensamentos e estruturas musicais ocidentais. Não se trata apenas de estruturas musicais em sim, mas de toda uma compreensão de colocar as mesmas em práticas vivenciadas, as quais não se enquadram em regras racionalizas de pureza, afinação (sistema tonal), compasso, arte sublime e distante, etc. Muito mais do que rítmicas complexas, as artes musicais africanas carregam em si um fundamento estético, filosófico, sociocultural e espiritual que somente pode ser compreendido na complexidade do Ser na sociedade, como um conceito horizontal, inclusivo, participativo, circular que move as relações socioculturais e politicas nas sociedades africanas, num nível mais profundo do que o conceito da ‘arte como fruição’. Música africana e suas capilaridades pela diáspora africana somente pode ser compreendido como atitude e resiliência da criatividade humana, incluindo suas expressões cinéticas e poéticas, que desafiam ordens, hierarquias, sistemas políticos e provocam a comunhão coletiva: a afirmação do ser humano na comunidade e no mundo, como p. ex. no pensamento Ubuntu e na cosmovisão bantu (FU KIAU). Neste painel pretendemos aprofundar e debater conhecimentos e saberes dessas musicalidades, ainda que seja mediante um recorte geográfico e temporal, em contextos socioculturais, gêneros musicais e fases históricas. Refletimos sobre alguns exemplos das artes musicais africanas, mediante recortes geo-culturais e temporais, para compreendermos os fundamentos filosóficos desde as práticas musicais da tradição oral até as grandes criações de gêneros musicais populares ao longo do séculos XX, alimentadas pelo diálogo permanente com a diáspora africana que contribuíram com grandes mudanças socioculturais e politicas nas sociedades africanas, desafiando heranças coloniais, racismo e desigualdades socioeconômicas. Debatemos o papel das produções musicais contemporâneas e novas tecnologias, provocando rupturas com visões ‘tradicionalistas’ sobre culturas africanas, evidenciando atitudes pós-modernas de crises identitárias e ativismos num mundo globalizado com agendas de movimentos sociais, feministas, ecológicos entre outros.
Palavras-chave: Artes musicais africanas; Diáspora africana; ativismo e resiliência; filosofias africanas

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Rap and Political Activism in Angola and Mozambique

Francisco Carlos Guerra de Mendonça Júnior (investigador independente)
Tirso Hilário Sitoe (Bloco 4 Foundation)
Janne Juhana Rantala (Bloco 4 Foundation)

A post-colonial reading of rap lyrics, focusing on their social intervention aspect, allows us to observe the use of this musical genre as a way of questioning neoliberal globalization and presenting alternative forms of decolonization, as well as criticizing governments that commit abuses of power and are recurrently involved in corruption. Although there are some global generic characteristics, the rap is constructed in each specific space, and there is often a dialogue with the local rhythms and knowledge. Thus, rap becomes a way of claiming social rights, due to activism and lyrics with political and social content. In this sense, this panel intends to discuss to what extent and how rap serves to express the demands of civic activists and is a driving force for demonstrations in Angola and Mozambique. In Angola, four of the 17 activists who were arrested in the case known as‘15+2’ were rappers. In Mozambique, rapper Azagaia is promoting demonstrations and popular uprisings, producing music quickly after protests or controversial episodes, such as the songs ‘Povo no Poder’ (People in Power), ‘Música de Intervenção Rápida’(Rapid Intervention Music) and ´O Sétimo Dia´ (The Seventh Day). Demonstrations in these countries are often responded with repression. In Angola, the case of most severe repression was the murder of Cherokee, MCK’s fan, at 2003. The police’s intention was to make the episode an example for the artists and broadcasters not to distribute dangerous information. However, MCK received international support and was invited to events in Brazil and European countries. Thus, the artist quickly left the condition of an amateur musician with several songs having technical flaws, to carry out actions with famous artists from Brazil. In Mozambique, the censorship of two songs happened with the decision of the state owned station Rádio Cidade, not to broadcast ‘As Mentiras da Verdade’ (The lies of the truth) and ‘O País da Marrabenta´ (The country of marrabenta). These censorship cases consequently helped the distribution of the songs because private competitors of the state channel were encouraged to broadcast them more to discredit Rádio Cidade. Despite being an important form of activism, there is no denying the silencing that women still suffer in hip hop culture. In Mozambique, projects like Female MCs, Imperial Ladies and Sweet Girls were short-lived, due to the diverse gender oppressions suffered by these women who sought to bring together the largest number of female rappers. The same happened with the Heroínas project, in Cabinda, Angola. Projects such as the Revolução Feminina in Mozambique and the RAPvolução in Angola emerge in the quest to show a civic activism of women within the hip-hop movement in self-managed projects, seeking to denounce gender inequalities inside and outside hip-hop, in partnership with institutions focused on the promotion for gender equality, for instance the Fórum Mulher in Mozambique. In this way, we encourage people to present communications that address topics on civic activism in rap, as a way to denounce issues such as capitalism, social inequalities, censorship, gender inequality, racism, cultural identity and regional oppression and differences.
Keywords: Rap, activism, politics, Mozambique, Angola.

Rap e ativismo político em Angola e Moçambique

Francisco Carlos Guerra de Mendonça Júnior (investigador independente)
Tirso Hilário Sitoe (Bloco 4 Foundation)
Janne Juhana Rantala (Bloco 4 Foundation)

Uma leitura pós-colonial das letras de rap, na sua vertente de intervenção social, permite observar a utilização desse gênero musical como uma forma de questionar a globalização neoliberal e apresentar alternativas de descolonização, bem como questionar governos que cometem abusos de poder e são recorrentemente envolvidos em casos de corrupção. Apesar de haver algumas características padrões, a identidade do rap é construída em cada espaço específico, pois há um diálogo também com os ritmos e saberes de cada localidade. Assim, o rap torna-se uma forma de reivindicar direitos sociais, por conta do ativismo social e das letras com conteúdos políticos e sociais. Desse modo, este painel pretende discutir como o rap serve para denunciar as pautas de ativistas cívicos e é impulsionador de manifestações em Angola e em Moçambique. Em Angola, quatro dos 17 ativistas que estiveram presxs no caso conhecido como 15+2 eram rappers. Em Moçambique, o rapper Azagaia serve como impulsionador de manifestações cívicas, produzindo músicas poucos dias depois de protestos ou episódios polêmicos, como são os casos das músicas Povo no Poder, Música de Intervenção Rápida e Sétimo Dia. Manifestar-se nesses países é também uma situação que é respondida em casos de repressão. Em Angola, a forma mais grave de repressão foi o assassinato de Cherokee, fã de MCK, morto em 2003. A intenção dos agentes era fazer com que o episódio servisse de exemplo para outras pessoas não repassassem informações como aquela. Entretanto, o artista recebeu apoios internacionais e foi convidado para eventos no Brasil e na Europa. Assim, rapidamente saiu da condição de músico amador, em que várias gravações possuem falhas técnicas, para realizar ações com artistas famosos do Brasil. Em Moçambique, a censura a duas músicas aconteceu com a decisão da Rádio Cidade, de ordem estatal, em não veicular As mentiras da verdade e O país da marrabenta. Esses casos de censura ampliaram a divulgação das músicas. Isso porque a informação de que a mídia pública estaria censurando músicas era uma informação que interessava aos concorrentes, que buscaram descredibilizar a Rádio Cidade. Apesar de ser uma importante forma de ativismo, não há de se negar o silenciamento que sofrem as mulheres no movimento. Em Moçambique, projetos como  Female MCs, Imperial Ladies e Sweet Girls tiveram curta duração, devido as diversas opressões de gênero sofridas por essas mulheres que buscavam reunir o maior número de rappers mulheres, para atuarem no hip-hop. O mesmo aconteceu com o projeto Heroínas, em Cabinda, Angola. Projetos como o Revolução Feminina em Moçambique e o RAPvolução em Angola emergem na busca de mostrar um ativismo cívico das mulheres no movimento hip-hop, em projetos autogestionados, buscando denunciar desigualdades de gênero, dentro e fora do hip-hop, em parceria com instituições focadas na luta pela igualdade de gênero, como exemplo do Fórum Mulher, em Moçambique. Desse modo, encorajamos as pessoas a apresentarem comunicações que abordem temas sobre o ativismo cívico no rap, como forma de denunciar questões como capitalismo, desigualdades sociais, censura, desigualdade de gênero, racismo, identidade cultural e diferenças regionais.   
Palavras-chave: Rap, ativismo, política, Moçambique, Angola

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Afro-Atlantic photographs and counter-colonial visualities

Cibele Barbosa (Fundação Joaquim Nabuco)
Fabiana Carneiro da Silva (UFPB)
Moacir dos Anjos (Fundação Joaquim Nabuco)

This panel intends to gather contributions from Visual Culture Studies that approach photographic productions elaborated within Africa and Afro-Atlantic spaces of the black diaspora. To this end, we are instigated by proposals that lead us to questions such as: In what ways has the colonial wound been transfigured in works by African and Afro-Brazilian artists and photographers? What reinterpretations are currently being developed within Post-colonial, Subaltern and Decolonial Studies of images? In what ways have the conventions, standards and contents of the photographic act been reshaped or deconstructed over the last decades? What are the contours and boundaries of a decolonial aesthetics within the field of photography? Drawing on intersectional and transnational dialogues, the panel focuses on studies of these critical productions that stem from photographic activism, either through art or journalistic denunciation, and aims to map the proposals and challenges faced by counter-coloniality within the field of contemporary visuality.   
Keywords: Photographic activism, Artistic photography, Black Diaspora, Visual culture, Coloniality

Fotografias afro-atlânticas e visualidades contracoloniais

Cibele Barbosa (Fundação Joaquim Nabuco)
Fabiana Carneiro da Silva (UFPB)
Moacir dos Anjos (Fundação Joaquim Nabuco)

O presente painel tem o objetivo de integrar contribuições na esfera dos estudos da Cultura Visual (Visual Culture) que abordem produções fotográficas elaboradas na África e em espaços afro-atlânticos da diáspora negra. Nessa direção, somos instigadas por proposições que nos conduzam a questionar de que modo a ferida colonial foi e está sendo transfigurada em trabalhos protagonizados por artistas e fotógrafas africanas e afro-brasileiras; quais releituras estão sendo desenvolvidas a partir dos estudos pós-coloniais, subalternos e decoloniais da imagem ;de que maneira convenções e padrões do ato fotográfico, bem como seus conteúdos,estão sendo ressignificados ou desconstruídos nas últimas décadas ou mesmo quais seriam os contornos e limites de uma estética decolonial no campo da fotografia.A partir de diálogos insterseccionais e transnacionais, o presente painel, ao se concentrar em estudos sobre essas produções críticas exercidas por meio do ativismo fotográfico, seja ele jornalístico-denunciativo ou artístico, pretende mapear propostas e desafios da contracolonialidade no campo da visualidade contemporânea.
Palavras-chave: Ativismo fotográfico, Fotografia artística, Diáspora africana, Cultura visual, Colonialidade

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Towards an agrarian transnationalism: agrarian and rural struggles within ‘non-Imperial South’

Boaventura Monjane (CES-Coimbra)
Diana Aguiar (UFRJ)
Fredson Guilengue (University of Witwatersrand)

The expansion of agrarian (and extractive) capitalist frontiers have known a peak moment from the mid-2000s on, as over-accumulated capitals sought to invest in agrifood and mineral commodities, especially after the 2008 financial meltdown. The land rush it entailed intensified land grabbing dynamics across the Global South, with Africa being the most targeted region. The increase in land deals targeted territories with some of the most fertile lands, biodiversity, water resources and transport infrastructures, some of which were highly populated areas. The penetration of capital in those territories has impacted negatively the livelihoods and more generally the social reproduction of millions of peasant and indigenous communities. Although, at least in the case of Africa, most land deals have involved former imperialist and colonialist countries, notably Europe and the United States, capital from emerging economies such as Brazil, India, China and the Arab Emirates has also been involved. This brings a particular element to the understanding of the dynamics of agrarian and extractive capital in the Global South today. A peculiar feature of these developments is an increase in ‘agrarian authoritarianism’.
At the same time, and while agrarian policies were becoming more neoliberal globally to accommodate agrarian and extractive capital investment interests, transnational agrarian and food justice movements have also emerged. One of the most emblematic is La Via Campesina, an international movement bringing together millions of peasants, small and medium size farmers, landless people, rural women and youth, indigenous people, migrants and agricultural workers from around the world. In fact, globally, the most vibrant forms of cosmopolitanism involve agrarian struggles and food justice movements, which has been consolidating transnational agrarian movements. International solidarity and internationalism are crucial to many agrarian social movements in the Global South.
This panel aims at critically discussing transnational activism, renewed strategies for resistance and alternatives to agrarian (and extractive) capital frontier expansion. The panel will unpack movements’ transnational experiences and practices globally but focusing particularly on Africa and Latin America.
Keywords: Transnationalism; Rural Struggles; Land activism; Agrarian Question; Latin America and Africa.

Por um transnacionalismo agrário: lutas agrárias e rurais no ‘Sul não imperial’

Boaventura Monjane (CES-Coimbra)
Diana Aguiar (UFRJ)
Fredson Guilengue (University of Witwatersrand)

A expansão das fronteiras capitalistas agrárias (e extractivas) conheceu um momento alto a partir de meados de 2000, uma vez que os capitais sobre-acumulados procuraram investir em produtos agroalimentares e minerais, especialmente após o colapso financeiro de 2008. A corrida por terras implicou uma intensificação da dinâmica de usurpação e açambarcamento de de terras no Sul Global, sendo a África a região mais visada. O aumento do volume de venda de terras (land delas) atingiu territórios específicos com algumas das terras mais férteis, biodiversidade, recursos hídricos e infraestruturas de transporte, algumas das quais zonas altamente povoadas. A penetração do capital nesses territórios teve um impacto negativo nos meios de subsistência e, de um modo mais geral, na reprodução social de milhões de comunidades camponesas e indígenas. Embora, pelo menos no caso de África, a maioria dos negócios de terras tenha envolvido antigos países imperialistas e colonialistas, nomeadamente a Europa e os Estados Unidos, capitais de economias emergentes como o Brasil, a Índia, a China e os Emirados Árabes também tem estado envolvidos. Isto traz um elemento particular para a compreensão da dinâmica do capital agrário e extractivo no Sul global de hoje. Uma característica peculiar desses desenvolvimentos é aumento do ‘autoritarismo agrário’.
Ao mesmo tempo, e enquanto as políticas agrárias se estavam a tornar mais neoliberais a nível mundial para acomodar os interesses de investimento do capital agrário e extractivo, surgiram também movimentos agrários e de justiça alimentar transnacionais. Um dos mais emblemáticos é a Via Campesina, um movimento internacional que reúne milhões de camponeses, pequenos e médios agricultores, pessoas sem terra, mulheres e jovens rurais, indígenas, migrantes e trabalhadores agrícolas de todo o mundo. De facto, globalmente, as formas mais vibrantes de cosmopolitismo envolvem lutas agrárias e movimentos de justiça alimentar, o que tem vindo a consolidar os movimentos agrários transnacionais. A solidariedade internacional e o transnacionalismo são cruciais para muitos movimentos sociais agrários no Sul global.
Este painel visa discutir criticamente o ativismo transnacional, estratégias renovadas de resistência e alternativas à expansão da fronteira do capital agrário (e extractivo). O painel irá desembrulhar as experiências e práticas transnacionais dos movimentos a nível mundial, mas centrando-se particularmente em África e na América Latina.
Palavras-chave: Transnacionalismo; Lutas Fundiárias; Activismo Agrário; Questão Agrária; América Latina e África

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New Social Movements, Politics and Youth Protagonism

Nardi Sousa (Universidade de Santiago)

The old political praxis in many African countries, the bipartisan system (Cape Verde and São Tomé and Príncipe), the pseudo-democratic one-party system (Angola and Mozambique) and an unstable quasi one-party system (Guinea-Bissau) no longer seem attractive to young people, the majority of the population, who want a new agenda. There is a need for rupture, ideas and alternative practices. However, the system is still stuck in the old political modus operandi, giving little space to outsiders, young people who do not belong to the traditional political parties, but who no longer support underdevelopment, corruption, injustice and the blocking of the country. This panel aims to provide critical and analytical discussions, to present data and studies on the new social movements in some African countries and the impact this is having on society, the media and, above all, on social networks.
Keywords: Social Movements, Political Activism, Youth Movements, Political Agenda.

Novos Movimentos Sociais, Política e Protagonismo Juvenil

Nardi Sousa (Universidade de Santiago)

A velha praxis da política em muitos países africanos, o sistema de bipartidarismo (Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), o sistema pseudodemocrático de partido único (Angola e Moçambique) e um sistema instável de quase partido único (Guiné-Bissau) já não parecem atrativas para os jovens, maioria da população, que querem uma nova agenda. Sente-se a necessidade de rutura, de ideias e praxis alternativas. Porém, o sistema ainda está preso ao velho modus operandi político, dando pouco espaço aos outsiders, jovens que não pertencem aos partidos políticos tradicionais, mas que já não suportam o subdesenvolvimento, a corrupção, as injustiças e o bloqueio do país. Este painel visa proporcionar discussões críticas e analíticas, apresentar dados e estudos sobre os novos movimentos sociais nalguns países africanos e o impacto que isso vai causando na sociedade, nos media e, sobretudo, nas redes sociais.
Palavras-chave: Movimentos Sociais, Ativismo Político, Movimentos Juvenis, Agenda Política.

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Questões e desafios metodológicos na investigação sobre activismo

Marc Jacquinet (Universidade Aberta, Portugal)

Este painel tem como objetivo a apresentação e discussão de discussões e contributos metodológicos substanciais relativos ao estudo do ativismo em países africanos e nas comunidades de afrodescendentes em países da das Américas Latina e do Norte e das Caraíbas. O ativismo é um campo de pesquisa emergente, em grande expansão, tal como a sua prática subjacente e necessita reflexões sobre paradigmas e métodos; discussões de práticas de pesquisa e de pesquisa-ação para além do ponto de vista convencional.
Os desafios decorrentes da investigação sobre ativismo, nas suas várias formas, implicam por parte do pesquisador uma reflexão crítica e uma escolha argumentada das opções metodológicas do trabalho de campo ou de recolha de informação.
Estão abrangidas todas as questões pertinentes que tocam à elaboração de uma investigação sobre ativismo, desde metodologia mais indutiva até metodologias dedutivas, passando por metodologias mistas ou abdutivas, ou ainda interdisciplinares.
Valoriza-se reflexões que relacionam o desafio relacionado com a aplicação de novos métodos e técnicas de investigação para cumprir o objetivo da investigação assim como a combinação de abordagens mais estabelecidas com outras mais inovadoras. Também são bem-vindas propostas que descrevem e discutem problemas práticos de investigação e ainda outras que implicam questões éticas por parte do investigador e a entidade financiadora.  Considera-se ainda pertinente apresentar revisões da literatura que tocam, mesmo que parcialmente, questões de metodologia, como meta-análises e comparação de estudos.
Não há limitações em termos de paradigma ou tradição de investigação. O objetivo aqui é mesmo apresentar questões metodológicas relevantes para o investigador e para o estado do conhecimento e do estado da arte nas ciências sociais viradas para o ativismo social. Finalmente, encoraja-se contributos críticos sobre métodos de investigação e suas implicações sociais e éticas.
Palavras-chave: ativismo, método, questões de investigação, investigação-ação

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Transnational LGBTI activism in a changing Africa: local and transnational strategies

Rui Garrido (CEI-Iscte)

The LGBTI activism in Africa is changing due the constant challenges that shape the continent. The African LGBTI social movements struggles for recognition. The recent court decision in Kenya and Botswana recognized the right of registration for LGBTI NGOs and sparked a new hope for LGBTI people across Africa. As the activism turns to courts as new arenas of social recognition and claiming equal treatment from the law, this path is not absent of backlashes. The withdrawal of the Coalition of African Lesbians observer status with the African Commission on Human and Peoples’ Rights illustrates the hardness of the path. The cancelation of Pan-Africa ILGA international conference scheduled to July 2020 due to covid19 pandemic but also due pressure of conservative factions of the Ghanaian society highlight the lack of basic LGBTI people human rights in the continent.
Adding to this political scenario, the changing technology and rapid penetration of social media and dating apps also brought risks for LGBTI people. The covid19 pandemic exposed the LGBTI to further abuses from state and non-state actors, as the emergency state in different countries was harnessed to target LGBTI people. In Morocco, the confinement brought a massive exposure of LGBTI people from gay dating apps, as it were undermined by non-LGBTI people to expose the users. The human right to privacy was denied to those men and women. In Uganda, the emergency state was directly used to arrest several homosexual men who were in a shelter, accused of non-respect for the social distance and of spread diseases.   
The panel aims to discuss the African LGBTI activism strategies, from local to regional perspectives, and exploring the diasporic dialogue. It welcomes interdisciplinary and empirical research on the wide perspectives of LGBTI activism and especially contribution from the main actors in the field.
Keywords: Africa; LGBTI; Human Rights; Transnational Activism; Networks; Strategies.

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Questioning activism: the theoretical framework proposals based on experiences of activists from African countries

Magdalena Bialoborska (CEI-Iscte)
Mojana Vargas (UFPB/CEI-Iscte)

What is activism? What are its types and possible classifications? Can individual actions be considered as activism? What about the activities of official, national or transnational organizations? Is it possible to design a theoretical framework that allows the analysis of the different types of activism?
The theories of social movements created during the second half of the 20th century displaced mobilizations based on social class and placed mobilizations based on ethnic, gender or lifestyle agendas. According to Angela Alonso, political movements aimed at seizing state power began to make room for social movements that sought changes in sociability and culture. The Resource Mobilization Theory supported its analysis on the rationality of the agenda and on the ability of a movement to advance that agenda more efficiently than other movements that operate in the same field, imposing a business logic on the social movement, giving less importance to the ideological component. The Theory of Political Process and Theory of New Social Movements (Charles Tilly, Jurgen Habermas, Alain Touraine) combine politics and culture to construct an explanation based on the insertion of social movements in a macro-historical structure. Based on the European social mobilizations of the sec. XVIII and XIX, oppose state and social movements as distinct forms of collective action, in which social movements are focused not on the transformation of the state, but on civil society itself. In all cases, there is an express privilege of the political and social experiences of the West, with emphasis on the European scenario, with no space in these reflections on the reality of African countries and their societies that have just emerged from colonization and / or civil wars.
Assuming that not only the actions of the groups, but also the individual actions, which lead or call for change, can be considered activism, we invite everyone to share the theoretical reflection on the theme, which can start from a case study or a set of examples from African countries. The panel intends, by collecting and debating proposals from participants, to build a theoretical framework, which can be used in the analysis of current activisms. With the proposed focus – starting from the theorizing of activisms in Africa – it is intended to circumvent the trends that predominate in the conceptual debate on social movements, referred in large part to the global North. We are looking for proposals that contribute to building a more comprehensive level of theorizing about activism, its contributions and limits as promoters of social change and its links with emancipationist or conservative agendas today.
Keywords: activism theory, individual activism, social movements, social change

Problematizando o activismo: as propostas do quadro teórico a partir de experiências de activistas dos países africanos

Magdalena Bialoborska (CEI-Iscte)
Mojana Vargas (UFPB/CEI-Iscte)

O que é activismo? Quais são os seus tipos e as possiveis classificações? As acções individuais podem ser consideradas como activismo? E as actividades de organizações oficiais, nacionais ou transnascionais? É possível desenhar um quadro teórico que permite a análise dos diversos tipos de activismo?
As teorias dos movimentos sociais criadas ao longo da segunda metade do século XX deslocaram as mobilizações baseadas na classe social e colocaram no centro as mobilizações pautadas em agendas étnicas, de gênero ou de estilo de vida. Nas palavras de Angela Alonso, os movimentos políticos voltados para a tomada do poder do estado, começaram a ceder espaço para movimentos sociais que buscavam mudanças na sociabilidade e na cultura. A Teoria da Mobilização de Recursos sustentava a sua análise na racionalidade da agenda e na capacidade que um movimento tenha para fazer avançar essa agenda de maneira mais eficiente do que outros movimentos que atuem no mesmo campo, impondo uma lógica empresarial ao movimento social, dando menos importância ao componente ideológico. Já a Teoria do Processo Político e a Teoria dos Novos Movimentos Sociais (Charles Tilly, Jurgen Habermas, Alain Touraine) combinam política e cultura para construir uma explicação baseada na inserção dos movimentos sociais em uma estrutura macro-histórica. Pautadas nas mobilizações sociais europeias do sec. XVIII e XIX, contrapõem estado e movimentos sociais como formas distintas de ação coletiva, na qual os movimentos sociais estão voltados não para a transformação do estado, mas da própria sociedade civil. Em todos os casos, há um privilegiamento expresso das experiências políticas e sociais do Ocidente, com destaque para o cenário europeu, não havendo espaço nessas reflexões sobre a realidade dos países africanos e suas sociedades recém saídas da colonização e/ou de guerras civis.
Partindo do pressuposto que não só as acções dos grupos, mas também as acções individuais, que levam ou apelam à mudança, podem ser consideradas activismo, convidamos a todos a partilharem a sua reflexão teórica acerca do tema, que pode partir de um estudo de caso ou um conjunto de exemplos provindos dos países africanos. O painel pretende, através da recolha e debate acerca de propostas de participantes, construir um quadro teórico, que possa ser utilizado na análise de activismos actuais. Com o enfoque proposto – partir da teorização dos activismos em África – pretende-se contornar as tendências que predominam no debate conceptual sobre os movimentos sociais, referido em grande parte ao Norte global. Procuramos propostas que contribuam para construir um nível mais abrangente de teorização sobre o activismo, suas contribuições e limites como promotores de mudanças sociais e suas vinculações com pautas emancipacionistas ou conservadoras na atualidade.
Palavras chaves: teoria de activismo, activismo individual, movimentos sociais, mudança social

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Weaving antiracist networks: activisms, narratives and counter-colonization

Anderson Ribeiro Oliva (Universidade de Brasília)
Leandro Santos Bulhões de Jesus (Universidade Federal do Ceará)
Renísia Cristina Garcia Filice (Universidade de Brasília)

The production of knowledge in Human and Social Sciences, in the last two centuries, has generated excluding and limiting dynamics in the global field of paradigms affirmation and in the construction of an explanatory set of theories, concepts and categories, with a preponderance of narratives committed to a certain perspective of knowledge. We can affirm that a hegemonic Eurocentric/colonial perspective has built several interpretations on the history of Brazil and Africa, marginalizing the productions and investigations that took place in countries, universities and research centers in Africa and Brazil, with emphasis on studies on African and Afro-Brazilian histories. This panel is proposed by three activists and academics who aim to critically analyze and question, through counter-colonial perspectives and the project “Tecendo Redes Antirracistas”  (“Weaving Anti-Racist Networks”), the limits of these productions in order to contribute with new views, positions and critic perspectives on various ways of being and being part of the world and universities. Thus, it intends to listen to people from different areas and countries – from researchers who are committed to studies on the history of Africa, Afro-Brazilians and black people in the diaspora to activists who might use their transnational experiences to contribute to the production of knowledge and innovative initiatives for teaching these histories, since they are also involved in tensioning and/or breaking with the monopoly of paradigms elaborated from exclusively Euro-American-centered perspectives. Therefore, it aims to mobilize a space for dialogue and sharing of plural knowledge, research networks and personal experiences which will foster enriching debates on African, Afro-Brazilian and diasporic stories.
Keywords: counter-colonialism; colonialism; racism; narratives.

Tecendo redes antirracistas: ativismos, narrativas e contracolonização

Anderson Ribeiro Oliva (Universidade de Brasília)
Leandro Santos Bulhões de Jesus (Universidade Federal do Ceará)
Renísia Cristina Garcia Filice (Universidade de Brasília)

A produção de conhecimento nas Ciências Humanas e Sociais, gerou nos últimos dois séculos gerou dinâmicas excludentes e limitadoras no campo mundial da afirmação de paradigmas e na construção de um conjunto explicativo de teorias, conceitos e categorias, com a preponderância de narrativas comprometidas com uma determinada perspectiva de conhecimento. Podemos afirmar que uma perspectiva hegemônica eurocêntrica/colonial construiu diversas interpretações sobre a história do Brasil e de África, marginalizando produções e investigações ocorridas em países, universidades e centros de investigação em África, e no Brasil, com destaque para os estudos sobre as histórias africanas e afro-brasileiras. Este painel é proposto por três ativistas e acadêmica/os que, por meio do projeto “Tecendo Redes Antirracistas”, buscam problematizar e questionar os limites destas produções para contribuir com outras visões, posicionamentos e criticidade sobre múltiplas formas de ser e estar no mundo, e também nas universidades em perspectivas contracoloniais. Assim, pretende ouvir  pessoas de diferentes áreas e países, desde investigadores que se comprometam com estudos sobre a história da África, afro-brasileira e negros/as da diáspora a ativistas e militantes que com suas experiências transnacionais possam contribuir para o intercâmbio da produção do conhecimento e iniciativas inovadoras para o seu ensino, posto estarem também empenhados/as a tensionar e/ou romper com o monopólio dos paradigmas elaborados a partir das perspectivas exclusivamente euroamericanocentradas; dessa forma objetiva mobilizar um espaço de diálogo e de partilha de conhecimentos plurais, redes de investigação e experiências pessoais para um profícuo debate sobre as histórias africanas, afro-brasileiras e diaspóricas.
Palavras-chaves: contra-colonialismo; colonialismo;  racismo ; narrativas.

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Networks of Knowledge Building: the role of militant and academic feminisms

Isabel Maria Casimiro (CEA-Universidade Eduardo Mondlane)
Vera Fátima Gasparetto (IEG/UFSC)
Ezra Chambal Nhampoca (Universidade Eduardo Mondlane)

Our proposal aims to receive research contributions, reports of experience and of artivism for Axe 1: Activism, Social Movements and Politics. The proponents, two Mozambican women and a Brazilian woman that research bout/on Mozambique, aims to create bridges between South-South and South-North knowledge productions, that bring a critical perspective and of decolonization of knowledge productions in the field of activism, artivism and of the academy.
The transition from Asia to Latin America and from this for Africa, from one of the most important international events in the field of academic and militant feminism – the 14th Worlds Women’s Congress – woke us up to reflect on the methodology of building research and activism networks, which are configured from theses spaces of dialogue and the trajectories of their protagonists in the perspective of a feminism that blurs the borders between margins/periphery-center, which inverts north-south symbolic maps and enhance South-South reflections.
We also want to reflect the context of the COVID-19 pandemic and its implications for building these networks, potentials and limits and the extent to which existing networks allow dialogue, strengthening production of knowledge and alliances to deal with the situation in different contexts, from the local and in connection with the global.From these relationships, displacements, discomfort, connections, solidarity, alterities and diversities emerge, which lead us to rethink our places and between-places. In these processes, the interdisciplinary field is strengthened from the connections of academic productions from different areas of knowledge, being the social sciences and humanities fundamental to dialogue with other knowledges and to understand how concepts gain different meanings in different contexts and fron different conversations.
The objective is to provide a reflection on the experiences of inter-relations between academic research in dialogue with activism and militancy, aimed at “doing with”social movements and for the construction of and academy that seeks new paradigms of relationship with subjects of research and the research processes.
This dialogue aims to strengthen knowledge, new perspectives, agendas and possibilities of interrelation between different types of knowledge, so necessary to exist, coexist and resist.
Keywords: Networks of Knowledge; Feminism; Academy; Activism

Redes de Construção de Saberes: o papel dos feminismos acadêmicos e militantes

Isabel Maria Casimiro (CEA-Universidade Eduardo Mondlane)
Vera Fátima Gasparetto (IEG/UFSC)
Ezra Chambal Nhampoca (Universidade Eduardo Mondlane)

Nossa proposta visa receber contribuições de pesquisas, relatos de experiência e de artivismo para o Eixo 1 “Ativismo, Movimentos Sociais e Política”. As proponentes, duas moçambicanas e uma brasileira que pesquisa em/sobre Moçambique, visa criar pontes entre as produções de conhecimentos Sul-Sul e Sul-Norte, que tragam uma perspectiva crítica e de descolonização da produção de conhecimentos no campo do ativismo, do artivismo e da academia.
A transição da Ásia para a América Latina, e dessa para a África, de um dos eventos internacionais mais importantes do campo do feminismo acadêmico e militante – o 14º Congresso Mundos de Mulheres -, nos despertou para a reflexão da metodologia de construção das redes de pesquisa e de ativismo, que se configuram a partir desses espaços de interlocução e das trajetórias de suas protagonistas na perspectiva de um feminismo que borre as fronteiras entre margens/periferia-centro, que inverta os mapas simbólicos norte-sul e potencialize as reflexões Sul-Sul.
Também queremos refletir o contexto da pandemia do covid-19 e suas implicações na construção dessas redes, potencialidades e limites e o quanto as redes já existentes permitem interlocuções, fortalecimentos, produção de conhecimentos e de alianças para lidar com a situação em diferentes contextos, a partir do local em conexão com o global.
Dessas relações emergem deslocamentos, desconfortos, conexões, solidariedades, alteridades, diversidades que remetem a repensar nossos lugares e entre-lugares. Nesses processos o campo interdisciplinar se fortalece a partir das conexões das produções acadêmicas das diferentes áreas do conhecimento, sendo as ciências sociais e humanas fundamentais para dialogar com os saberes outros e perceber como os conceitos ganham diferentes sentidos em diferentes contextos e a partir de diferentes falas.
O objetivo é proporcionar uma reflexão acerca das experiências de inter-relação entre pesquisas acadêmicas em diálogo com o ativismo e a militância, voltadas a “fazer com” os movimentos sociais e para a construção de uma academia que busque novos paradigmas de relação com sujeitas/os e os processos de investigação. Esse diálogo pretende fortalecer conhecimentos, trocas, novos olhares, agendas e possibilidades de interrelação entre diferentes de conhecimentos, tão necessários de existirem, coexistirem e resistirem.
Palavras chaves: Redes de Saberes; Feminismo; Academia; Ativismo.